A ausência dos dois representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) convocados levou a CPI da Terra na Assembléia Legislativa a cancelar mais uma audiência pública, marcada para as 9h30 de ontem, no plenarinho da Casa. Depois de confirmar presença, os líderes do MST em Querência do Norte, Delfino José Becker e Pedro Alves Cabral, remeteram fax ao gabinete do deputado Elio Rusch (PFL), presidente da CPI, no final da tarde de terça-feira (dia 25), pedindo que o depoimento fosse adiado.

Ambos alegam não terem recebido a intimação dentro do prazo regulamentar, que é de um mínimo de 48 horas de antecedência, o que teria impedido que constituíssem advogados. Também pretextam falta de recursos para a viagem até Curitiba. Diante disso, os deputados decidiram reconvocá-los para a sessão da próxima quarta-feira. A coordenadora da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária Avante Ltda. (Coano), Marli Brambilla, que já deixou de atender duas notificações, está sendo convocada coercitivamente, o que poderá acontecer com os outros convocados que se recusarem a comparecer.

Irritado, o relator da comissão, deputado Mário Bradock (PMDB), disse que está em andamento uma estratégia para esvaziar a CPI, tanto por parte dos sem terra quanto do PT, cujos representantes têm faltado sistematicamente às sessões. Ele anunciou que vai sugerir à comissão que sejam substituídos.

O líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Elton Welter, que é membro da comissão, negou qualquer manobra com o objetivo de boicotar os trabalhos. Segundo ele, a alegação do MST, de falta de recursos para transporte, é verdadeira: “Eles não são proprietários”, comparou. Quanto à bancada, argumentou que não existe qualquer orientação nesse sentido: “No meu caso, por exemplo, foi uma questão de prioridade. No mesmo horário da audiência eu tinha uma reunião do Conselho Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar, para o qual fui indicado pela Mesa desta Casa. Mas nós vamos participar das reuniões, como eu acredito que farão os representantes do MST”, afirmou Welter.

Boicote

O deputado Elio Rusch interpreta as ausências do MST como tentativa de esvaziar os trabalhos da CPI, cujo objetivo é formar um amplo painel da questão fundiária no Estado: “Eles não atendem aos convites para virem expor seus pontos de vista com o intuito, cada vez mais claro, de tentar fazer crer que a comissão só ouve os proprietários Da parte dos trabalhadores rurais só conseguimos trazer para depor o diretor da ONG Terra de Direito, o advogado Darci Frigo. Há mais de duas semanas tentamos localizar o coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, também sem êxito. De qualquer maneira, vamos insistir, porque o nosso objetivo é ouvir todas as partes envolvidas”, afirmou.

Ele repetiu na tribuna da Assembléia, à tarde, as reclamações. E avisou que a comissão vai lançar mão das convocações pela via judicial. O deputado Plauto Guimarães (PFL) fez um apelo ao PT para que atue no sentido de que os trabalhadores compareçam para dar suas explicações. Destacou que há denúncias sérias de abusos nas invasões e esta é a oportunidade de esclarecê-las.