Imaginar que a próxima eleição presidencial será apenas uma disputa entre a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e o ex-governador paulista José Serra (PSDB) é um erro. “O protagonista desta eleição será o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele será a figura central”, afirmou hoje o cientista político e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Carlos Melo, durante o 12º Seminário Perspectivas da Economia Brasileira, realizado hoje em São Paulo pela Tendências Consultoria.

“Dilma não tem Lula atrás de si, mas à sua frente”, afirmou. Para Melo, o presidente pode se licenciar do cargo para acompanhar sua candidata durante a campanha, se achar necessário. “Essa possibilidade não pode ser descartada”, disse Melo, que vê uma eleição de fato plebiscitária pela frente, como quer Lula.

Na avaliação do cientista político, ainda que menos experiente que seu oponente, a candidata do governo conta com condições competitivas muito favoráveis diante do bom momento da economia e da alta popularidade do presidente.

Ele ainda identifica outro fator a favorecer a ex-ministra. “O segundo mandato de Lula foi caracterizado pela formação de um grande bloco de poder que envolve conglomerados de empresas com interface política, fundos de pensão, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), sindicatos”, que exercerão sua influência. “Pela primeira vez, teremos as duas maiores centrais sindicais do País apoiando o mesmo candidato.”

Transferência de votos

O ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Mailson da Nóbrega também vê condições mais favoráveis a Dilma, mas questiona a capacidade de transferência de votos para a candidata. “Talvez Dilma não consiga incorporar essas vantagens. Na outra ponta, ele vê eventuais pontos positivos para o candidato da oposição, como a formação de uma chapa puro sangue com o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) e mesmo uma mudança de comportamento do candidato Serra. “Ele parou de falar de câmbio e de criticar o Banco Central”, observou.

Ambos consideraram cedo para dizer quem é o favorito e disseram que qualquer que seja o eleito, a política econômica não vai sofrer alterações. “O mercado não tem incorporado as eleições na precificação do risco Brasil”, afirmou Mailson.