A indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para comandar o Ministério da Agricultura no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff acirrou os ânimos de indígenas e empresários do agronegócio esta semana. A tensão levou nesta sexta-feira um grupo de cerca de 50 índios da tribo Krahô Kanela a invadir a sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidida pela senadora, em protesto contra a escolha dela para a Agricultura. O grupo ocupou o saguão do prédio, onde almoçou no chão, dançou e cantou. Eles saíram do Estado de Kátia, o Tocantins, para o ato em Brasília. O mesmo grupo já havia protestado em frente ao Palácio do Planalto na quinta-feira (4) contra a senadora e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 2015, que transfere do Executivo ao Congresso Nacional o poder de demarcar terras indígenas.

A indicação de Kátia Abreu também desagradou ao maior doador da campanha de reeleição da presidente Dilma Roussef, o frigorífico JBS. A empresa repassou R$ 69,2 milhões para a campanha da petista. Nos últimos anos, conforme apontou a Controladoria-Geral da União (CGU), o JBS foi beneficiado por uma série de medidas tomadas pela Agricultura. A empresa teme que a senadora, como pecuarista e líder dos criadores de gado, vire o jogo a favor dos fazendeiros.

Kátia é crítica do JBS, responsável por cerca de 20% do abate bovino no País, o que dá poder à empresa para definir o preço do animal que sai do pasto. Ela chegou a ocupar a tribuna do Senado para criticar a empresa. Não à toa, o empresário Joesley Batista – um dos donos do grupo responsável pela marca Friboi -, esteve com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para pedir que Dilma reconsidere a indicação.

O senador Blairo Maggi (PR-MT), sócio de um dos maiores produtores de soja do País, articula contra Kátia. Ele tenta manter o atual ministro Neri Geller (PMDB-MT) no cargo. Geller chegou ao comando da pasta por indicação de Blairo. O senador mato-grossense já conversou com Mercadante sobre o tema.

A bancada ruralista também está dividida. Parte dos integrantes da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) defende a permanência de Geller. Neste grupo estão os que reclamam de Kátia como uma liderança independente, pouco alinhada com a bancada. O presidente da frente, o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS) apoia a indicação de Kátia Abreu, mas reconhece que a posição dele “não é unanimidade”.