Foto: Orlando Brito

Alckmin: ganhando força.

O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) cresceu entre 8 e 9 pontos porcentuais em um mês e meio e pulou dos 18% a 19%, que tinha na primeira semana de junho, para 27% na simulação de primeiro turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu 4 pontos porcentuais, de 48% para 44%, no mesmo período, segundo pesquisa nacional Ibope feita para a TV Globo, divulgada ontem.

Lula ainda venceria no primeiro turno a corrida presidencial, com uma margem de 6 pontos porcentuais, porque a soma dos demais candidatos chega a 38%, mas luzes amarelas se acenderam para ele.

A citação espontânea mostrou que 38% do eleitorado ainda está indeciso e não definiu o voto em 1.º de outubro. Além de Lula e Alckmin, a senadora Heloísa Helena (PSOL) cresceu um pouco e chegou aos 8%.

Os demais candidatos não pontuaram. Alckmin começou a crescer depois que os programas de propaganda do PSDB e a mídia de comerciais gratuitos do partido lhe deram uma maior exposição pública, no mês de junho.

No período, Alckmin equilibrou os seus índices, distribuindo-os de forma homogênea pelos segmentos de renda, escolaridade, geográficos, populacionais e até religiosos. O ponto fraco do candidato tucano – que desequilibra suas possibilidades até aqui – continua sendo o seu baixo potencial de votação no Nordeste, onde agora chegou aos 13%, ao passo que Lula tem 66%.

Ele teve uma subida significativa no Norte/Centro-Oeste, atingindo agora os 31% (enquanto Lula tem 39%), pouco abaixo dos 34% no Sudeste (Lula tem 37%), onde a força do voto paulista o empurra para cima. No Sul, Alckmin tem 27% e Lula, 33%.

Assim, o mesmo Nordeste que tem sido a salvação de Lula é também a perdição de Alckmin. Se um porcentual homogêneo entre os segmentos populacionais e grupamentos sociais é sinal de vitalidade de uma candidatura, na atual disputa o Nordeste desequilibra o mapa eleitoral dos dois.

Potencial

A pesquisa Ibope, segundo os especialistas, mostra que Alckmin começa a ganhar potencial de voto e a se tornar competitivo à medida que se faz conhecido. Ele já consegue, por exemplo, herdar 54% dos eleitores que dizem ter votado em José Serra em 2002 e ainda ganharia o voto de 16% dos que, à época, votaram em Lula.  Já o atual presidente, num patamar bem semelhante, está herdando 59% dos seus próprios votos e 17% dos que votaram em Serra.

Os dois candidatos constroem pirâmides diferentes. A preferência por Lula é maior entre os que têm até a 4ª série do primeiro grau (67%) e vai caindo à medida que a escala sobe até o ensino superior (34%).

Já Alckmin faz a rota contrária: tem 24% entre os que estudaram só até a 4ª série e chega a 49% entre os que têm nível superior. Da mesma forma, Lula tem 68% da preferência entre os que ganham até 1 salário mínimo (Alckmin tem 21%) e 22% (Alckmin tem 60%) entre os que ganham mais de 10 salários mínimos.

Mas Lula ainda é o favorito do eleitorado para vencer as eleições de 2006: 59% dos eleitores acham que ele ganhará a disputa, enquanto apenas 18% acreditam na vitória de Alckmin e 3% apostam em Heloísa Helena.