Manifestantes de movimentos que apoiam a operação Lava Jato se reuniram nesta quarta-feira (2) em frente à prefeitura de Curitiba, no Centro Cívico, para protestar contra a presença de manifestantes pró-Lula nos arredores da Polícia Federal (PF), no bairro Santa Cândida. Os grupos Superintendência República de Curitiba e Acampamento Lava Jato se uniram pela manhã e passaram o dia no local.

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A união com os moradores do bairro é para exigir que a prefeitura cobre da Justiça o cumprimento da decisão que proíbe acampamentos na região da PF. Alguns deles distribuíram coxinhas aos pedestres com o argumento que o salgado era “pago com o dinheiro deles e não do governo”.

Foto: Átila Alberti
Protesto pede a saída de Lula da sede da PF, no Santa Cândida. Foto: Átila Alberti

A gerente de desenvolvimento Sabrina Avozani, 40 anos, mora em Brusque, em Santa Catarina, e veio para a capital paranaense para apoiar os moradores.

“Estamos aqui reunidos para protestar contra a invasão no bairro Santa Cândida em Curitiba. Essas pessoas que são pagas com o dinheiro dos contribuintes, nós não aceitamos isso. Estamos aqui para apoiar os moradores e para mostrar minha indignação como cidadã brasileira”, enfatizou.

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Alguns manifestantes ainda questionavam o interdito proibitório que proíbe a montagem de barracas de pernoite na região da PF, mas a medida foi suspensa quando o acampamento Marisa Letícia foi transferido para um terreno particular a algumas quadras do ponto inicial.

Os manifestantes também pediam a proibição da vigília, que segue acontecendo no mesmo local. Mas ela é permitida, segundo o acordo fechado entre os manifestantes e autoridades locais. Segundo a decisão judicial de abril, os militantes pró-Lula podem seguir em vigília até às 21h. O som, porém, tem de ser desligado às 19h30.

“Eu moro há 26 anos no bairro e nós estamos aqui para pedir ao prefeito que essa situação seja resolvida. Estamos vivendo em cima de um barril de pólvora prestes a explodir. A minha esposa está com síndrome de pânico e não estamos aqui à toa. O bairro pede socorro, não está fácil viver por lá”, relatou José Carlos Furlan, 66 anos.

E aí, prefeitura?

Foto: Átila Alberti
Foto: Átila Alberti

Em nota, a prefeitura diz ter tomado todas as medidas judiciais para evitar a montagem de acampamentos próximos da PF, obtendo na Justiça, inclusive, o interdito proibitório e a aplicação de multas aos manifestantes contra e favor da prisão do ex-presidente Lula.

Além dessas medidas, a prefeitura explicou que também pediu que o ex-presidente fosse transferido para outro local mais seguro.

Os pedidos foram feitos na 12.ª Vara Federal e também foram encaminhados ofícios a representantes do Judiciário, como o juiz Sérgio Moro e a presidência do Superior Tribunal de Justiça, além da governadora Cida Borghetti.

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Sobre o acampamento anti-Lula feito em frente à prefeitura, o município diz que considera o ato irregular e estuda medidas para solucionar esta situação. No dia 28 de abril, depois que o acampamento Marisa Letícia foi atacado a tiros, a prefeitura refez o pedido de transferência de Lula. Greca voltou a falar sobre o assunto no 1.º de maio e também pediu a transferência de Lula.

“Registro minha indignação pelo confinamento de um condenado com o poder de mobilização do ex-presidente Lula, num prédio administrativo, que não tem, e nunca teve alvará para presídio, até por estar imerso em ZR3 – Zona Residencial com serviços, conforme a Lei de Uso do Solo de Curitiba”, postou o prefeito no Facebook.

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