O novo ministro da Defesa, Aldo Rebelo, recebeu nesta quinta-feira, 8, o cargo do ex-titular Jaques Wagner com um longo discurso elogioso às forças armadas. Em sua fala, Rebelo defendeu um orçamento permanente para a área, e não sujeito às sazonalidades.

Ele defendeu também que sejam mantidos os recursos para a continuidade de projetos estratégicos para as três Forças, como o submarino com propulsão nuclear, o sistema de proteção de fronteiras e compra dos novos caças. “O Brasil tem que ter forças armadas compatíveis com seu tamanho e expectativas do mundo”, afirmou.

Rebelo não quis admitir que as forças armadas estejam em condição de penúria. “Eu vou lutar para preservar esses programas, para que eles não sejam comprometidos na sua essência e trabalhar com a adaptação à escassez de recursos”.

Perguntado sobre a dificuldade da presidente em recompor a base mesmo após a reforma administrativa, Rebelo disse: “Política não se escreve por linhas retas, nem a vida” .

O ministro disse ainda não crer que as últimas movimentações tenham deixado o impeachment mais perto. “Não há nenhuma acusação que justifique uma medida extrema contra a presidente da República”

Comunista

Questionado sobre o fato de um comunista assumir o comando das forças armadas, Rebelo disse que seu compromisso é sempre com o País. “Estou vindo para servir o Brasil”.

Na cerimônia, uma das poucas ministras presentes foi a titular da pasta das Mulheres, Integração Social e Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, que tem entre suas atribuições questões ligadas à perseguição política na ditadura militar.

Antes de sua fala, a mestre de cerimônias leu o currículo de Rebelo, dando destaque à sua filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e ao fato de que o ministro foi eleito deputado federal por seis vezes pela legenda.

Rebelo falou por quase uma hora na cerimônia, na sede do Clube Naval, em Brasília. Durante seu discurso, um marinheiro, que segurava uma bandeira, passou mal. No restante do tempo, um militar com estetoscópio no pescoço acompanhou os outros responsáveis por segurar as bandeiras, para evitar um novo desmaio.