Com o apoio de peemedebistas e outros aliados do governo, a bancada de oposição na Assembleia Legislativa conseguiu reunir trinta e uma assinaturas para propor nova convocação do secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, para falar sobre violência e criminalidade no Estado.

O requerimento será votado apenas na próxima terça-feira, 13. Na sessão de ontem, 7, o líder do governo Luiz Claudio Romanelli (PMDB) pediu para discutir a proposta e protelou a decisão para a próxima semana.

Romanelli precisa de tempo para tentar costurar um acordo que mude o tom da convocação. O líder do governo quer transformar a convocação de Delazari em um convite amigável para que ele preste contas das ações da pasta.

No requerimento, os deputados pedem que o secretário compareça ao plenário para ser inquirido sobre o crescimento da violência, principalmente em Curitiba e região metropolitana.

A chacina do final de semana, onde oito pessoas foram assassinadas em ação que a polícia atribuiu à rivalidade entre traficantes pelo comando da região, a vila Icaraí, na periferia da capital, reforçou o movimento para levar o secretário à Assembleia.

Há dois dias, o líder do governo recorreu ao regimento interno para impedir a votação da convocação, alegando que a proposta já havia sido rejeitada este ano, o que impediria sua apreciação pela segunda vez.

Mas a oposição também encontrou no regimento interno a brecha para uma nova investida. Desde que tenha o apoio da maioria do plenário, ou seja, no mínimo 28 votos, uma mesma matéria pode ser votada outra vez no mesmo ano legislativo.

Palanque

A liderança do governo resiste à convocação de Delazari alegando que a oposição está tentando transformar um problema estrutural da sociedade o crescimento da violência e o tráfico de drogas em bandeira eleitoral.

“Nós não podemos permitir que isso se transforme num palanque eleitoral. Eles (a oposição) fizeram uma pesquisa e viram que 73% da população estão preocupados com a segurança e agora querem explorar essa situação”, afirmou o líder do governo.

O deputado Augustinho Zucchi (PDT) replicou. “Não se trata de um problema de oposição ou de situação. Há uma aspiração da população em saber qual é o melhor caminho para tentar resolver esse problema. Se a Casa representa a sociedade, então não há razão para o secretário não vir”, afirmou o pedetista.

Romanelli destacou que a ida do secretário, por convocação, terá que ser aprovada em plenário. “Os leões (a oposição) vão ter que enfrentar os gladiadores (os aliados). Isso aqui é como a Roma antiga”, desafiou o líder do governo.

O líder da oposição, Élio Rusch(DEM), acredita que nenhum deputado irá recuar do apoio ao requerimento. “Estamos tentando desde junho trazer o secretário à Assembleia.

Foram mais de seis tentativas frustradas até o momento. Agora preenchemos todos os requisitos regimentais para que o Delazari venha ao plenário esclarecer à sociedade paranaense sobre as providências que estão sendo tomadas para conter o avanço da violência”, afirmou.