O presidente do PMDB em Maringá, Umberto Crispim, veio a Curitiba pedir a convocação do diretório estadual do partido para discutir a decisão da Comissão Executiva estadual de dissolver o diretório municipal. "Lamentamos que hoje a executiva do PMDB no Paraná esteja transformando-o numa ditadura de poucos. As propostas de dissolução são para montar currais eleitorais para as próximas eleições", afirmou, referindo-se aos mais de noventa diretórios peemedebistas que estão em processo de dissolução por decisão do diretório estadual.

Crispim criticou o secretário-geral do PMDB no Estado, Luis Cláudio Romanelli, e o líder do partido na Assembléia Legislativa, deputado Antônio Anibelli, que teriam assinado mais de 40 entre as 96 propostas de dissolução. "Mas não é assim que conseguirão o que querem. Tratam-se de diretórios legalmente constituídos", disse.

Segundo ele, a executiva do partido está tirando o poder dos diretórios. "Eles deveriam reunir as partes, ouvir a defesa, a acusação e enviar decisão ao diretório", justificou. Crispim informou que no último dia 3 um requerimento foi protocolado no TRE para ter acesso à ata da reunião que propunha a dissolução do diretório estadual. "O Romanelli não quer divulgar nenhum documento. Ele está se sentindo o dono do partido e inclusive está me ameaçando de demissão caso não me cale", enfatizou.

Como o diretório estadual justificou a medida por causa do desempenho do partido nas eleições em Maringá, Crispin contestou. "Nós elegemos um terço dos vereadores, enquanto aqui em Curitiba somente quatro foram eleitos entre 38. O Requião também foi o último prefeito eleito em Curitiba pelo PMDB em 1985, enquanto em Maringá o trabalho do diretório elegeu Said Ferreira em 1992." Ele citou também a recusa por parte dos diretórios municipais em estabelecer alianças determinadas pela executiva estadual como uma das motivações das dissoluções.

Reunião

O dirigente peemedebista questionou a prerrogativa de dissolução dos diretórios municipais pela direção estadual. Segundo Crispin, em encontro do partido no ano passado, a executiva estadual não obteve o número de votos necessários para garantir a autorização para intervir nos diretórios municipais. O diretório de Maringá recorreu do processo de dissolução e a executiva tem trinta dias para convocar o diretório estadual para votação.