O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) estuda a possibilidade de uma ação indenizatória contra a União pelos prejuízos causados pela forma com que a Polícia Federal (PF) divulgou os dados da Operação Mercari. A informação é do advogado contratado para representar a instituição financeira, Fábio Medina Osório, o mesmo que defende a governadora Yeda Crusius (PSDB) das acusações no caso do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) gaúcho, em tramitação na Justiça Federal desde 2009.

Segundo o advogado, a ação indenizatória não questionaria o mérito da investigação, “mas o caráter espalhafatoso da divulgação da operação”, além do “processo eleitoral em curso”. Osório orientou a direção do banco a contratar uma consultoria externa para produzir um laudo que aponte potenciais prejuízos decorrentes da divulgação da Mercari. Explicou que a ação é contra a União, que poderá chamar as pessoas físicas responsáveis.

A Operação Mercari revelou, na última quinta-feira, o desvio de R$ 10 milhões do Banrisul por meio de superfaturamento de ações de marketing. A polícia investiga a possibilidade de parte do dinheiro ter sido utilizado no financiamento de campanhas eleitorais, segundo afirmou o delegado Ildo Gasparetto.

Além disso, a direção do Banrisul iniciou hoje uma auditoria interna na Superintendência de Marketing e nomeou um funcionário de carreira como superintendente interino, Ildo Musskopf, que administrará o setor acompanhado diretamente pelo presidente do banco, Mateus Bandeira. Desde a sexta-feira todas as ações de marketing do banco estatal gaúcho estão suspensas. Todos os pagamentos do setor também foram suspensos, bem como a participação em feiras e eventos.

Na quinta-feira haverá uma reunião do Conselho de Administração do Banrisul para avaliar a situação. As ações do banco estavam sendo comercializadas a R$ 15,90 na Bovespa, baixa de 1,66% em relação à sexta-feira passada, quando foram comercializadas a R$ 16,40.

Depoimento

Os quatro suspeitos do desvio de R$ 10 milhões prestaram depoimento hoje. No entanto, o advogado Auri Lopes Junior, que defende o diretor da DCS, Armando D’Eliza Neto, o orientou a falar somente em juízo. Ele e seu colega José Paganella Bosque, que defende o sócio da SLM Gilson Storck, aguardavam decisão sobre os pedidos de liberdade provisória feitos na sexta-feira. Walney Fehlberg e Davi Antunes de Oliveira também foram ouvidos em sigilo.

As investigações continuam sendo feitas em sigilo de Justiça e a PF não se manifesta desde a sua ultima nota oficial, na sexta-feira. Na ocasião, foi preso Davi Antunes de Oliveira portando a importância de R$ 82 mil. Ele seria o intermediário das ações entre o banco e as empresas de publicidade.