Celso Junior / AE

José janene: "Eu não vou acusar
ninguém porque não sou leviano".

São Paulo – A revista Época traz como destaque de sua edição desta semana, matéria dizendo que João Cláudio Genu, o assessor do deputado José Janene, líder do PP na Câmara, seria o ?homem da mala? do mensalão, esquema de pagamento a deputados denunciado pelo deputado Roberto Jefferson, do PTB.

Segundo a publicação, Cláudio Genu seria um dos principais operadores do esquema. A matéria informa que, procurado nas últimas semanas no gabinete do deputado Janene, Genu não foi encontrado e uma secretaria chegou a informar que ninguém com esse nome trabalharia lá.

Genu acabou sendo localizado e negou as acusações, mas a revista insistiu na denúncia ouvindo outras fontes e salientou que chegou ao nome do assessor após semanas de apuração, inclusive com a ajuda de informações de deputados, assessores, ex-funcionários de Janene e de fontes da bancada do PP que contaram em detalhes como funcionaria o esquema do mensalão. Segundo o texto, o dinheiro não era entregue diretamente pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e que Genu era o encarregado da distribuição. O dinheiro para o ?mensalão? chegaria a Brasília através de emissários ou do próprio Genu. A distribuição do pagamento seria feita em envelopes contendo quantias que variavam entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, conforme a importância do político beneficiado. A revista chegou a fazer um levantamento do patrimônio de João Cláudio Genu, segundo o qual, ?o assessor é dono de um apartamento de luxo, uma casa no setor de mansões de Brasília e cinco carros, dois deles importados. Numa primeira avaliação, nos últimos cinco anos ele teria amealhado entre R$ 1,5 a R$ 2 milhões. Metade disto, só no governo atual?.

Nega

O líder do PP, deputado José Janene (PR), negou ontem que o seu principal assessor, João Claudio Carvalho Genu, seja o responsável pela suposta entrega de dinheiro aos parlamentares do partido em troca de fidelidade. ?Confio no meu assessor e vou mantê-lo no cargo?, afirmou.

Janene disse que Genu – apelidado de João Mercedão – é seu assessor desde quando ele ainda não era líder partidário. O deputado negou também que o PP tenha cargos na Petrobras e em Furnas, como noticiou a Época, mas confirmou a presença do partido no IRB e na Anvisa. Ele explicou que na Anvisa o cargo de diretor é ocupado pelo técnico Victor Hugo, cujo nome foi submetido ao Senado.

O deputado disse que não quer acusar ninguém, mas chegou a ironizar ao afirmar que quem tem dinheiro no governo é o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda. E ameaçou: ?Não vamos permitir esse tipo de acusações. Qualquer pessoa do partido que se sentir ofendida vai se defender. Eu não vou acusar ninguém porque não sou leviano. Nós não temos cargos no governo e, por isso, essa denúncia é fantasiosa, absurda?, disse Janene.