Uma carga, com quase 3 toneladas de fios metálicos, a maioria de cobre, sem comprovação de origem foi apreendida quarta-feira (30) no litoral do Paraná. Dois homens estão presos na delegacia da Polícia Civil em Paranaguá, onde foram autuados em flagrante pelo crime de receptação, cuja pena é similar à do crime de furto. O produto era levado para Joinville, em Santa Catarina. Funcionários de telefônicas e da Companhia Paranaense de Energia (Copel) reconheceram boa parte do material, que contém componentes usados pelas empresas.

A apreensão foi feita pelo Batalhão de Polícia Rodoviária da Polícia Militar (BPRv), durante fiscalização de rotina, no posto localizado da rodovia Alexandra-Matinhos. O motorista Gilmar de Souza Soares, 28 anos, e Marcelo Laurentino, 24, ambos moradores em Joinville, não apresentaram a nota fiscal da mercadoria e foram presos. O caminhão também foi multado por estar com o silenciador do motor irregular.

Os dois detidos e o material foram encaminhados à delegacia de Paranaguá. A polícia já sabe que o caminhão desviava a rota para evitar postos fiscais nas rodovias BR-101 e BR-376, que liga o Paraná a Santa Catarina. Eles acreditavam estar livres de qualquer flagrante seguindo para Joinville por uma rota alternativa, saindo de Curitiba, passando por Matinhos, depois Guaratuba e, por fim, chegando a Joinville. Segundo a polícia, eles não contavam com a possibilidade de serem parados numa blitz de rotina da polícia rodoviária.

De acordo com a delegada Maria Joseléia Pigozzi, Gilmar freqüentemente compra sucata em Curitiba para revendê-la em Joinville. Na quarta-feira, ele tinha ido a um ferro-velho no bairro Capão Raso, onde adquiriu os fios encapados apreendidos, mas não obteve a nota fiscal. Segundo a delegada, o dono do ferro-velho orientou Gilmar a fazer a rota alternativa por conta do posto fiscal. ?Representantes das empresas já reconheceram o material. Hoje (quinta-feira) estamos fazendo a separação dos fios para dar andamento ao inquérito?, afirmou Maria Joseléia.

Na carga apreendida, estavam fios vendidos como sucata que nem chegaram a ser utilizados. Entre o material, conectores de internet novos, chicotes da empresa Brasil Telecom, conectores de uso exclusivo da Copel que não são vendido no mercado, fios modelo padrão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) até com a data de fabricação e que são fabricados sob encomenda, cabos para caixa de alta voltagem da Copel e material com etiqueta de identificação de empresas privadas. Conforme os técnicos da Copel, apenas um dos cabos chega a pesar 300 quilos.

Aprovação

Nesta semana, o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, se reuniu com diretores de uma empresa de telefonia que elogiaram a atuação das polícias Civil e Militar no combate ao roubo de fios de cobre. Pelos números apresentados ao secretário, a empresa comemora a redução de mais de 76% no furto de cabos telefônicos, no Paraná, entre os meses de julho e dezembro do ano passado. Esse número é resultado das ações implementadas pela secretaria com a criação de uma força-tarefa que vem agindo em todo o Estado.

Ações semelhantes estão sendo desenvolvidas pela Polícia Civil também durante a Operação Viva o Verão, no litoral, onde, na chamada Operação Sucata, os policiais e funcionários de empresas de telefonia e de iluminação têm visitado ferros-velhos e depósitos de material reciclável com o objetivo de localizar e prender receptadores de fios de cobre roubados ou furtados. Em Paranaguá, numa fiscalização foram apreendidos 40 quilos de cabos de energia, furtados da Copel. Um homem foi preso e autuado em flagrante por receptação.