O advogado Cláudio Gama Pimentel está tentando mostrar à Polícia Federal que os pilotos Jan Paul Paladino e Joseph Lepore agiram com dolo eventual na condução do jato Legacy que colidiu com um avião da Gol, em 29 de setembro do ano passado, matando 154 pessoas, no norte de Mato Grosso. Eles foram indiciados apenas culposamente pelo acidente. "Eles não estavam preparados, não tinham conhecimento técnico e não sabiam sequer onde estava o manual", afirmou o advogado.

"O diálogo é assustador", disse o advogado. Segundo ele, o dolo eventual caracteriza-se quando a pessoa assume o risco de produzir um resultado em razão de atitudes não corriqueiras, o que seria o caso. O teor dos diálogos também deixou revoltada a dona de casa Rosane Gutjhar, viúva de Rolf Gutjhar, que fazia freqüentemente o vôo entre Curitiba e Manaus, em razão de ter uma empresa no Amazonas. Ele era uma das 154 pessoas que estavam no vôo 1907.

"A briga hoje é para fazer com que os culpados sejam punidos na forma da lei", acentuou Rosane. Ela está coletando assinaturas para serem levados ao ministro da Justiça, Tarso Genro, pedindo que as investigações sejam mais rápidas e que as punições sejam efetivas. Já conseguiu 3 mil.

Diálogo

Uma das peças utilizadas por Pimentel é o diálogo entre um dos pilotos e o controle do Cindacta-4. "O sistema TCAS (Sistema de Alerta de Tráfego e Evitação de Colisão, que monitora o espaço aéreo ao redor de uma aeronave e do qual o transponder – sistema de comunicação entre o avião e o radar – faz parte) estava ligado?" pergunta o operador. "Não", responde o piloto. "Não?…Alô?", questiona o controle. "Não, não estava", confirma o piloto.

"Sem TCAS?", insiste o controle. "TCAS estava desligado…O TCAS estava ligado", contradiz-se o piloto. "Okay, estava ligado, mas nenhum sinal foi reportado, não é?", reforça o controle. "Não, não, nós não recebemos nenhum aviso, não", diz o piloto. "Okay, TCAS estava ligado com certeza, okay?", volta a perguntar o controle. "Okay!", responde o piloto.