O 1º Seminário Internacional de Gestão Ambiental Portuária reuniu na tarde desta terça-feira, em Paranaguá, representantes da atividade portuária e de órgãos ligados à certificações.

Para tratar do Sistema de Gestão e Certificação Ambiental Portuária, os debatedores da Mesa de Debates 3, presidida por Carlos Santos Amorim Jr, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) mostraram conceitos e experiências adotadas em relação à padronização de normas e realização de estudos.

As apresentações tiveram o objetivo de mostrar que é possível estimular o desenvolvimento organizacional baseado em ações de preservação do meio ambiente. ?Os portos são importantes porque são a porta de entrada e de saída de um país e nossa grande tarefa é fazer com que a comunidade crie, faça parte e use as normas que tem, entre muitos objetivos, eliminar as barreiras técnicas?, disse Amorin.

De acordo com o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, a oportunidade de se tratar assuntos como esse demonstra o quanto ainda se pode avançar no desenvolvimento econômico sem deixar de lado as questões ambientais. ?É uma preocupação global que trazemos para nossos debates, utilizando as realidades vividas em portos estrangeiros e nos vizinhos a Paranaguá?, comentou.

Foi esta mesma preocupação em aliar desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente que levou o diretor do terminal portuário da Ponta do Félix, Juarez Moraes e Silva, a mostrar a um plenário cheio, uma série de projetos importantes para toda a região do Litoral do Paraná. Entre eles, o Projeto CAD (Contaminantes, Assoreamento e Dragagem).

Numa área de 1,5 mil m², a Ponta do Félix, em parceria com a Associação de Defesa do Meio Ambiente e do Desenvolvimento de Antonina (Ademadan), Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou um estudo para identificar áreas atingidas por produtos contaminantes, assoreamentos e dragagem e para revelar possíveis soluções para estes locais.

A pesquisa aconteceu nos berços de atracação, bacia de evolução, canal de acesso e no Terminal Portuário privado. ?Buscamos uma base sustentada de dados dentro de um sistema econômico que depende da viabilidade do porto?, comentou Moraes e Silva.

A pesquisa encomendada pela Ponta do Félix proporcionou dados surpreendentes. Nos últimos 30 anos, a Baía de Antonina assoreou 6 metros. A constatação teve por base estudos feitos no relevo, solo, nível de precipitações e desmatamento, principalmente, da mata ciliar.

?O estudo estará pronto em 30 dias. Depois disso, teremos uma série de dados importantes e que revelarão quais procedimentos devem ser adotados em relação ao desenvolvimento da empresa e a preservação do meio ambiente; como, onde e quanto podemos dragar e, ainda, onde podem ser localizadas as áreas de despejo?, disse o diretor do terminal, lembrando que estas áreas, de acordo com informações da pesquisa, podem ficar mais próximas dos locais dragados, reduzindo os custos de operação.

Segundo Moraes e Silva, os estudos revelaram, também, que o material depositado no fundo da baía (uma espécie de lama menos consistente) pode trazer diversidade quanto aos volumes a serem dragados, porque se desloca com facilidade com o movimento da maré e pode levar os sinais de batimetria a um erro de até 2 metros de diferença entre a real profundidade do canal e os volumes registrados.

?São estas características que devem ser levadas em conta e que podem ser decisivas na tomada de decisões, porque denotam custos que podem ser reduzidos através de pesquisas mais aprofundadas, como a que estamos realizando?, finalizou.

O 1º Seminário de Gestão Ambiental Portuária, promovido pela APPA, encerra amanhã, quinta-feira, e está sendo realizado no Hotel Camboa.