Parlamentares querem que as corregedorias da Câmara dos Deputados e do Senado investiguem as denúncias veiculadas pela imprensa de que assessores de membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado estariam chantageando empresários e representantes do mercado financeiro para livrá-los das investigações da comissão.

O líder do PDT no Senado, Jefferson Perez (PDT-AM), disse hoje concordar que a corregedoria do Senado investigue as denúncias e ressalvou que somente um ?pacto de não-agressão? pode salvar a CPMI, que está em crise devido às divergências entre o presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) o relator, deputado José Mentor (PT-SP).

Segundo Perez, a comissão está ?moribunda?. Ele explicou que é preciso esclarecer se os supostos chantagistas falaram em nome de algum parlamentar da CPMI. ?Tem muita gente que pode ter plantado notas de chantagem para prejudicar a comissão?, declarou.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por sua vez, afirmou hoje que a decisão de suspender as investigações, tomada na semana passada por José Mentor, foi um ?passo na direção de colocarmos a CPMI dentro dos canais competentes? para que ?as águas voltem ao seu leito?.

O primeiro vice-líder tucano na Câmara, Alberto Goldman (SP), entrou com uma representação na Comissão de ética e decoro parlamentar da Câmara contra os deputados Eduardo Valverde (PT-RO) e José Mentor. Uma gravação da TV Senado mostrou os dois parlamentares articulando contra o presidente da CPMI, senador Antero Paes de Barros.

Operação Farol da Colina

Hoje, a Polícia Federal iniciou a Operação “Farol da Colina”. A PF pretende cumprir 215 mandados de apreensão e prisão contra crimes de evasão de divisas. A CPMI do Banestado foi criada para investigar a evasão de divisas via conta CC-5. O vazamento de informações sigilosas colocou, na última semana, os trabalhos da comissão sob suspeita.