Deslizamento de terra no quilômetro 44
da BR-277, trecho Curitiba-Paranaguá,
ocorrido no fim de janeiro.

O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (Crea-PR) divulgou ontem relatório alertando sobre riscos aos usuários na BR-277, no trecho Curitiba-Paranaguá. A vistoria foi feita entre os quilômetros 39 e 52 da estrada, onde fortes chuvas provocaram deslizamentos de terra em ambos os lados da pista.

Segundo o engenheiro José Luzo Fernandes, um dos responsáveis pela vistoria, o trecho em questão situa-se em plena Serra do Mar, onde o terreno é bastante instável. “As margens da pista carecem de barreiras de contenção, pois com chuvas contínuas as chances de deslizamentos aumentam bastante”, afirma. Para Fernandes, caso as obras não sejam feitas, uma tragédia pode acontecer no local.

Outros problemas que agravam a situação são a falta de manutenção das encostas, assim como a falta de limpeza das canaletas. O desmatamento também contribui para deslizamentos, já que a vegetação serve como contentor natural de terra.

Para o engenheiro Cladimor Faé, outro técnico da vistoria, os sistemas de drenagem da pista também necessitam de melhorias. “Os acidentes causam prejuízo ao Estado como um todo, uma vez que a rodovia é um corredor internacional de exportação”, declara.

Por outro lado, a Ecovia, concessionária que administra esse trecho da BR-277, diz estranhar o relatório do Crea. O gerente de engenharia da Ecovia, Humberto de Souza Gomes, alega que a própria empresa permitiu e acompanhou a vistoria. E fora concluído que os desmoronamentos ocorridos na pista no fim de janeiro foram um acidente natural. Ou seja, não foram ocasionados por negligência ou descuido com a manutenção.

Gomes também afirma que, após o acidente, a Ecovia contratou dois geólogos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para fazer um estudo do terreno. Nele, não foi apontado nenhum risco grave na rodovia. Apenas constatou-se que o quilômetro 39 necessita de obra de contenção para o mês de janeiro, período de chuvas fortes e contínuas. A concessionária também afirma que o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) foi informado desse estudo.

Segundo o Crea-PR, o relatório final da vistoria foi encaminhado a vários órgãos competentes, dentre os quais Secretaria Estadual de Transportes, DER, Ministério dos Transportes e Ministério Público. Até o fechamento desta edição, a assessoria da Secretaria de Transportes alegou não ter recebido tal documento.