Litoral

Vendedores ambulantes de Guaratuba pedem ajuda de Ratinho Júnior

Imagem mostra um grupo de ambulantes com camisetas brancas perto de um ferry boat.
Ambulantes que trabalhavam na fila do Ferry Boat estão apreensivos com a desativação do sistema. Foto: Maria Carolina Crema / especial para a Tribuna do Paraná.

Com a liberação da Ponte de Guaratuba, os vendedores ambulantes acompanham o momento com gratidão e, ao mesmo tempo, preocupação. Para 46 famílias que trabalhavam na região do ferry boat, a Ponte da Vitória é a realização de um sonho coletivo e também de um futuro incerto.

Na sexta-feira (1°), os vendedores ambulantes chamaram a atenção ao vestir camisetas com um apelo ao governador durante a cerimônia oficial de inauguração da ponte. “Precisamos de sua ajuda, governador. Vendedores ambulantes precisam do senhor”, destacava cada camiseta.

Marílda Bach Silva, líder comunitária e voz ativa na Prainha, resume o sentimento que une o grupo. Neta de pioneiros da travessia, ela não esconde o entusiasmo com a obra.

“Nós somos totalmente gratos por essa conquista. A ponte é a vitória de Guaratuba e reconhecemos a coragem do governo em realizá-la. Estamos celebrando esse avanço, mas também precisamos que o governo olhe para essas famílias com a mesma sensibilidade com que olhou para a infraestrutura da nossa região”, afirma Marilda. Ela diz ainda que “o grupo busca apenas um amparo que lhes permita atravessar essa transição com dignidade”.

“Precisamos que o governo olhe para essas famílias com a mesma sensibilidade com que olhou para a infraestrutura”, disse Marilda, líder comunitária na Prainha. Foto: Maria Carolina Crema / especial para a Tribuna do Paraná.

A trajetória desses trabalhadores é feita de superação e raízes profundas no local. Um dos exemplos mais emblemáticos é o de Alexandre Ribeiro, cuja história se confunde com a própria estrutura do ferry boat.

Marilda recorda com emoção que Alexandre chegou a morar em um porão embaixo do espaço da balsa, vivendo em condições extremamente humildes ao lado de seu pai. Foi dali, de um lugar sem infraestrutura básica, que ele e tantos outros tiraram a força para trabalhar e buscar uma vida melhor, transformando a venda ambulante no alicerce de suas famílias.

Essa dedicação ao longo de décadas é compartilhada por Oseias Cordeiro Soares, de 46 anos, que construiu sua vida e criou seus filhos através do trabalho honesto, oferecendo produtos aos motoristas há três décadas. “A ponte é um bem necessário e estamos felizes por ela. No entanto, o nosso ganho direto acaba agora. Nossa preocupação é com o sustento de cada dia, com as contas que não param de chegar”, relata Oseias, refletindo a ansiedade de quem sempre soube o valor do esforço, mas agora enfrenta uma mudança profunda em sua fonte de renda.

Esse mesmo sentimento é compartilhado por Anderson Gonçalves, de 47 anos. Para ele, a ponte é uma vitória para todos, mas o futuro das famílias não pode ser esquecido. “Todos foram beneficiados com a ponte, e nós sempre dependemos desse movimento para pagar nosso sustento. O que pedimos é que ninguém fique para trás nesse processo de modernização”, destaca Anderson, reforçando que o grupo busca o reconhecimento de sua trajetória e um suporte para se reorganizarem.

A diversidade dessas famílias se reflete em histórias como a de Domingos José Santana Filho, o “Domingos Baiano”, que há duas décadas tira das vendas o sustento de casa. Diante da chamada “Ponte da Vitória”, o desejo é que o diálogo também cumpra seu papel de ponte para uma solução justa. Neste dia histórico, com a liberação do fluxo de veículos, permanece o contraste: de um lado, um trabalhador que reconhece e aplaude o desenvolvimento de Guaratuba; de outro, a necessidade de um olhar atento do Estado para garantir que o pão de cada dia continue chegando à mesa.

Imagem mostra uma montagem com três homens usando camisetas brancas e bonés.
Domingos, Anderson e Oseias preocupados com o futuro. Fotos: Maria Carolina Crema / especial para a Tribuna do Paraná.

Famílias cobram diálogo com o governo

O apelo das famílias é por sensibilidade e diálogo — um gesto que reconheça suas trajetórias e ofereça segurança para atravessar este novo tempo.

Para Marilda, o momento mistura memória e expectativa. Ela relembra que sua família viveu por gerações as dores e as alegrias da travessia, incluindo perdas em acidentes no mar antes mesmo da chegada dos ferrys boats.

“O que fica agora são as lembranças. Eu tive o privilégio de subir na ponte antes da abertura, e a gratidão é imensa. Não tenho palavras para explicar o bem que essa obra traz, mas peço sensibilidade à história de cada trabalhador”, diz, com o olhar voltado para a baía. “A ideia não é parar, é continuar trabalhando. Só precisamos de tempo e apoio para nos reorganizar, pois muitos aqui nunca fizeram outra coisa na vida. Que essa vitória seja, de fato, de todos nós.”

Governo do Estado destaca criação de empregos na região

Em nota, o Governo do Estado ressaltou que as obras na região geraram mais de 1000 empregos diretos e indiretos e contaram com apoio absoluto da população. “As obras de infraestrutura do Paraná geram milhares de empregos no Litoral. Além da Ponte de Guaratuba, estão em andamento a duplicação Matinhos – Pontal do Paraná, a revitalização da orla de Pontal do Paraná e o Moegão em Paranaguá”.

O Governo do Estado ressaltou que mantém uma política de geração de emprego e renda aos trabalhadores do Litoral. “Apenas na última temporada foram criados 2.368 empregos”.

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