Aliocha Mauricio / O Estado do Paraná
Só mesmo ato de vandalismo para
quebrar abrigo de ponto de ônibus.

A recomposição de aparelhos públicos que se deterioram com o tempo é algo normal nas grandes cidades. Os recurso para essas ações já constam normalmente dos orçamentos dos municípios. Entretanto, a disponibilidade de verba para esse tipo de reparo tem chegado a números preocupantes devido a um grande problema: o vandalismo. Em Curitiba, a situação não é diferente. O município gasta anualmente R$ 600 mil para reparar pichações, vidros quebrados e danos causados por tentativas de arrombamento em escolas públicas. Além disso, mais R$ 105 mil são disponibilizados anualmente com gastos com reparos no sistema de iluminação pública.

Segundo o diretor do Departamento de Edificações da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop) de Curitiba, Victor Volpi Júnior, com o dinheiro gasto nesses reparos seria possível construir uma creche e meia todo ano. “Com R$ 400 mil fazemos uma creche.” O maior problema encontrado é justamente a pichação. Conforme Volpi, esse tipo de ato de vandalismo virou uma mania nacional. “As regiões mais afetadas são a sul e a leste. Dois pontos que sempre são pichados são o viaduto do Capanema e as passarelas no Boqueirão”, contou. Volpi disse que, se a Smop tivesse mais recursos para aplicar contra o vandalismo, aplicaria. “Gastamos R$ 600 mil, mas com certeza se tivéssemos R$ 1 milhão teria onde gastar”, reconheceu.

Conforme o diretor do Departamento de Iluminação Pública da Smop, Eduardo Christiano Lobo Aichinger, o gasto anual com manutenção em lâmpadas, reatores, luminárias, roubo de cabos e dispositivos para ligar as lâmpadas é de R$ 700 mil. “De todas as ações de reparo, 15% são feitas devido a atos de vandalismo. Há dois anos, esse percentual era de 35%”, explicou. Aichinger destacou que o município vem fazendo ações explicativas contra o vandalismo nos bairros. “A maior incidência dos atos dos vândalos é na região da Cidade Industrial”, contou. Além dessas ações, as luminárias também foram revestidas com um plástico duro que as protege.

Telefonia

Não só o poder público sofre com a atuação dos vândalos. A Telepar Brasil Telecom, principal operadora de telefonia fixa do Estado, tem mensalmente 12 mil telefones públicos danificados. Ao todo, a operadora tem 66.418 telefones públicos em todo o Paraná, com exceção de Londrina e Tamarana. “O custo em média para recuperação de cada um deles é de R$ 80”, contou Ubiratã Maftum, técnico de rede da Brasil Telecom. Maftum contou que, em Curitiba, os atos dos vândalos são concentrados na regiões central e leste. “A Brasil Telecom patrocina uma peça de teatro onde as crianças aprendem a valorizar os bens públicos. Ano passado sete mil crianças assistiram essa peça”, contou.