Engenheiro do comitê ferroviário da SAE Brasil – associação sem fins lucrativos que congrega pessoas físicas unidas com o objetivo de disseminar técnicas e conhecimentos relativos à tecnologia da mobilidade, Cyro Laurenza diz que “o congestionamento de nossas cidades e periferias, das nossas estradas, o tempo precioso que nós gastamos para chegar ao nosso destino, demonstra a necessidade de restaurar nosso sistema ferroviário de passageiros. Ou a carga é mais importante do que o passageiro? Não podemos esquecer de que quem produz a carga são esses passageiros”, diz ele.

Claro que para recolocar o Brasil na rota do transporte ferroviário, seriam necessários investimentos para a readequação da malha atual como troca de trilhos por perfis mais pesados, retificação de trechos em maior inclinação, aumento dos raios de curva ou desvio para vias mais retas, acerto de lastro, dormentes e fixação, melhorias na drenagem e reforço e pontes e túneis. Mas isto é o mínimo que poderia ser feito depois de 50 anos de abandono. E o importante não é o resgate do passado – mas garantir melhor transporte no futuro. E isto, claro, Cornelsen já falava há pelo menos 27 anos.