Os equipamentos podem ser afetados pelo clima.

Equipamentos de medição de velocidade instalados em Curitiba são muito sensíveis e estão sujeitos a instabilidades, inclusive por causa das condições climáticas da cidade, que apresenta variações bruscas de temperatura. Foi o que afirmou ontem o gerente de Verificação de Dimensões do Ipem (Instituto de Pesos e Medidas) do Paraná, Ivan Bessa. Procurado pela reportagem de O Estado para explicar, tecnicamente, o que poderia ter acontecido com o radar instalado na altura do número 1.486 da Avenida Wenceslau Braz, na pista sentido BR-116-Portão, Bessa afirmou que há uma decisão recente do Inmetro determinando que, por serem muito sensíveis a condições externas, os equipamentos de radar devem ser vistoriados pelo Ipem no mínimo a cada seis meses, e não apenas uma vez por ano, como vinha acontecendo.

“O ofício do Inmetro foi enviado para nós em 15 de outubro”, confirmou o técnico da instituição. Segundo ele, o Inmetro justifica a periodicidade menor nas aferições porque os radares são “sujeitos a instabilidades” e “podem sofrer alterações”. A reportagem também tentou falar com técnicos da Consilux -empresa responsável pelos radares, mas foi informada por uma secretária que um deles estava em férias e o outro havia saído e não retornaria mais ontem.

Ação

Márcio Antonio Simas, proprietário do caminhão multado três vezes por estar acima da velocidade permitida (60 km/h) no radar da Avenida Wenceslau Braz, disse ontem que, após os testes feitos na tarde de quarta-feira na presença de técnicos, vai entrar com nova ação na Justiça contra a Diretran. “Vou pedir tudo que tenho direito”, afirmou Márcio, proprietário de uma empresa coletora de resíduos que utiliza o caminhão para trabalhar.

Nos testes, viabilizados pelo veredor Mário Celso Cunha (PSB), o veículo – um Mercedes Benz 1218 – não conseguiu passar de 87 km/h, mesmo com a caçamba vazia e a pista livre. No entanto, o caminhão foi multado por excesso de velocidade em agosto de 2001, dois meses depois de o radar ter sido instalado. O mesmo radar acusou velocidades de 104 km/h, 118 km/h e 86 km/h.

Como Márcio se recusou a pagar as multas, que somam R$ 1.276,93, o veículo que ele usa para trabalhar ficou em situação irregular. Márcio tinha recorrido várias vezes das multas, sem sucesso. “Eu tinha que fazer esse teste na frente de todo mundo: imprensa, técnicos, responsáveis pelo equipamento. Eu tinha certeza do que estava falando, é impossível esse caminhão pegar alta velocidade, eu não iria armar esse circo à toa”, desabafou o empresário.

Na vistoria realizada em oficina credenciada antes dos testes, foi também detectado que o caminhão de Márcio não tem condições mecânicas de alcançar velocidade alta, mesmo em sua capacidade máxima. “Um caminhão nessas condições nunca pegaria 118 km/h em uma rampa de subida” atestou o mestre da oficina mecânica da Divesa, Mário Sangaletti, que acompanhou a vistoria feita pelo encarregado Benedito Cândido Xavier.

Falha

Mesmo durante o teste, na tarde de quarta-feira, o equipamento não “captou” a imagem do caminhão em uma das vezes que o veículo passou a mais de 80 km/h em frente ao radar. A falha ocorreu, provavelmente, porque havia outro veículo passando ao lado do caminhão no mesmo momento. Mas os técnicos da Consilux que acompanhavam o teste não souberam explicar o porquê de um veículo acima da velocidade permitida não ter sido acusado pelo equipamento.