A pedido da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além do deputado estadual Padre Paulo (PT) e do secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimmermann, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) suspendeu, temporariamente, ontem a desocupação da Fazenda Baronesa dos Candiais 2, em Luiziana. Ela estava marcada para ser realizada hoje.

De acordo com o pedido, assinado pelo secretário executivo da CPT, Jelson Oliveira, “existe uma disposição concreta da parte do MST em negociar um proposta do Incra para assentamento das famílias”. A CPT destaca ainda como “elogiosa a política deste governo de tratar a questão social sem o uso da força”.

“Eles solicitaram a prorrogação para poder negociar. Entendemos que o pedido pode ser atendido no sentido de dar uma solução definitiva para o problema”, disse Luiz Fernando Delazari, secretário de Estado da Segurança Pública.

A negociação em busca de um acordo pacífico para esta questão será realizada na próxima segunda-feira, às 14h, na sede da Sesp, em Curitiba.

A propriedade foi ocupada em 28 de abril passado por cerca de duzentas famílias do MST. De acordo com laudo do Incra, trata-se de uma propriedade produtiva.

Lista

Edson Marcos Bagnara e Edivande José de Freitas, membros da coordenação estadual do MST protocolaram quarta-feira, junto à Sesp, um documento que revela oito nomes de militantes que, segundo eles, estariam com “a cabeça a prêmio”. Diz o documento que a lista foi veiculada em uma reunião de latifundiários, ocorrida em Campo Mourão em 21 de abril deste ano. Ali estariam relacionados nomes de pessoas que deveriam ser assassinadas.

“Para preservar e garantir a segurança dos demais militantes do MST, não vamos divulgar os nomes das pessoas citadas no documento”, disse Delazari, que imediatamente designou o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) para investigar o caso. Segundo José Damasceno, também da coordenação dos sem-terra, a execução de cada nome valeria recompensas que variam entre R$8 mil e R$10 mil.

Conclusão

Polícias militares concluíram na manhã de ontem a desocupação da Fazenda Santa Isabel, em Xambrê. Foi retirado o restante das sessenta famílias do Grupo de Xambrê, que ainda estavam no local. O grupo não possui vínculos com o MST.