Portadores do vírus HIV no Paraná e no Brasil estão temerosos com a falta de um medicamento vital para quem precisa tomar o coquetel antiaids: o abacavir, importado da Índia.

Além disso, outros remédios do coquetel, como a lamivudina e a nevirapina, estão com os estoques baixos nos postos de saúde. Os soropositivos temem que estes remédios faltem e compliquem o tratamento ao qual se submetem.

Em todo o País, existem 200 mil pessoas em tratamento da doença e 3,7 mil utilizam o abacavir. Como forma de protesto, em alguns estados houve manifestações ontem. O Paraná ficou de fora.

A secretária da organização não-governamental (ONG) Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids de Curitiba(RNP + C), Silmara da Conceição Ribas, revela que o abacavir já não está sendo encontrado há cerca de um mês.

“Este remédio é de uso contínuo e vital para quem é portador do vírus HIV. Existem muitos pacientes que estão fazendo terapia de resgate, na qual o vírus torna-se muito resistente e o uso deste antirretroviral é mais do que fundamental. Também estamos preocupados com o baixo estoque dos outros remédios. Se começaram a faltar, a vida de quem precisa destes medicamentos ficará em situação de risco”, alerta.

Ribas conta ainda o motivo de não terem ocorrido manifestações no Paraná. “O pessoal aqui no Paraná reclama, mas na hora de fazer algo se retrai, pelo medo de se expor. Estudamos entrar com uma ação na Justiça caso a situação não normalize até semana que vem, pois a data dada pelo Ministério da Saúde era de que até o dia 27 tudo estaria normal. É uma corrida contra o tempo”, avalia.

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informa que o remédio já se encontra no Brasil e que duas situações fizeram com que ele sumisse. A primeira foi a de que o abacavir sofreu modificações a pedido do ministério para se adequar às normas brasileiras, o que atrasou a produção no país asiático.

A segunda foi com relação aos problemas recentes do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, que fechou diversos aeroportos na Europa. A rota para transportar o remédio passa pela Alemanha e Portugal antes de chegar ao país. A assessoria garante que até semana que vem a situação estará normalizada.