Quem transita pelas bucólicas estradas rurais de Almirante Tamandaré encontra várias escolas abandonadas e depredadas no caminho. Dentro delas, livros didáticos, boletins e históricos escolares se misturam a jornais velhos, vidros quebrados, carteiras escolares quebradas e aranhas-marrom.

É o caso da ex-Escola Rural Municipal José Perussi Gasparin, localizada no bairro Marmeleirinho, onde estudavam os três filhos mais novos do trabalhador rural Valdir de Jesus, que reclama: “antes a escola ficava a 800 metros de casa. Agora são oito quilômetros”. As crianças foram remanejadas para a Escola Municipal Helena Witoslawski, no bairro Lamenha Pequena.

Apesar da imagem triste das escolas sucateadas, a secretária de Educação e Cultura do município, Anna Paula Wolf, esclarece que as 17 escolas rurais que lá existiam foram fechadas em 2008, a pedido da própria Secretaria de Educação, em prol da qualidade de ensino. “Hoje são quatro escolas polo, mas muito bem equipadas com laboratórios e bibliotecas e onde os alunos são distribuídos nas turmas de maneira mais adequada conforme a série a que pertencem”, justifica. Ela explica que, nas escolas rurais, é muito comum acontecer de haver turmas com apenas cinco alunos. “Por causa do número reduzido de alunos, eles ficavam todos em uma única turma, mesmo que um aluno pertencesse à 1ª série e o outro à 4ª série”.

De acordo com as diretrizes nacionais para educação básica nas escolas do campo (LDB 9394/06), classes isoladas com um único professor devem ser substituídas por escolas de pelo menos quatro séries, de forma a reduzir em 50% o número de estabelecimentos desse tipo.

Átila Alberti
Valdir e filhos: 4 km até a estrada asfaltada. Veja na galeria de fotos as escolas.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, quando houve a mudança, quatro prédios rurais foram destinados a outros fins – Secretaria da Agricultura, Departamento de Patrimônio da prefeitura, biblioteca e espaço alternativo da prefeitura – e os demais ficaram disponíveis para a comunidade local, quando solicitados.

Com chuva, sem ônibus

Para os pais e alunos do bairro Marmeleirinho, o pior é quando chove, já que o ônibus escolar da prefeitura não consegue acesso pelas ruas sem asfalto da região. Da casa de Valdir de Jesus até a parte asfaltada da estrada são 4 quilômetros. “As crianças acabam não indo para aula quando chove”, conta. O trabalhador rural Paulo Burdignião concorda: “a gente queria que fosse mais perto. Fica complicado quando chove, principalmente com as crianças menores.”

Veja na galeria de fotos as escolas.