Durante participação na Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (Fenasan), em São Paulo, o diretor-presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Wilson Bley, voltou a falar sobre o projeto de expandir os serviços da empresa para o cenário nacional.

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De acordo com Bley, a Sanepar quer expandir a presença fora do Paraná de forma estruturada, prioritariamente por meio de consórcios e sem desviar recursos das demandas locais. A Companhia é uma sociedade de economia mista controlada pelo Governo do Paraná. O diretor-presidente citou como exemplo de possível parceria a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

“O mercado de saneamento no Brasil amadureceu e exige cada vez mais sinergia. A nossa expansão fora do Paraná deve ocorrer por meio de consórcios, levando conhecimento técnico e captando novas receitas. Essa aproximação com grandes players, como a Sabesp, é totalmente natural quando pensamos em intercâmbio de metodologias, inovação tecnológica e ganhos de eficiência para o setor”, disse Bley.

Parcerias com multinacionais e reuso de água

Para atuar nesse projeto de expansão, durante a Fenasan, a Sanepar oficializou a assinatura de um memorando de entendimento com o grupo espanhol GS Inima. Com foco semelhante, em setembro de 2025 a companhia já havia firmado parceria com outra empresa espanhola, a Acciona. Atualmente, a estatal paranaense atende 344 municípios no Paraná e um em Santa Catarina.

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Em nota enviada à Tribuna do Paraná, a Sanepar informou que o novo acordo foca no fornecimento de água de reuso industrial a partir do efluente tratado em estações de esgoto, atendendo a setores de grande consumo hídrico, como indústrias químicas, siderúrgicas, de fertilizantes, de papel e celulose e usinas termelétricas.

O projeto busca preservar os mananciais nobres de água potável para o consumo humano e prevê que 75% dos recursos gerados por receitas acessórias sejam revertidos diretamente para a modicidade tarifária no Paraná.

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“Queremos aplicar nossa estrutura e experiência para desenvolver soluções inovadoras de reuso industrial, consolidando a Sanepar na economia circular. O efluente deixa de ser encarado apenas como resíduo e passa a ser um ativo valioso. É uma solução que protege nossos rios, gera receitas complementares e beneficia diretamente a sociedade paranaense com tarifas mais justas”, destacou o presidente.

Privatização da Sanepar está no radar?

Sobre uma possível privatização, Bley reforçou sua convicção no modelo atual de gestão da empresa. O diretor-presidente pontuou que os resultados históricos demonstram que uma gestão pública de excelência é capaz de entregar soluções e investimentos robustos.

“Acreditamos e defendemos o modelo atual da Sanepar porque ele entrega resultados concretos à população paranaense. Nosso foco total é a gestão de excelência, garantindo a modicidade tarifária, capturando novas receitas e executando com responsabilidade o robusto investimento em obras já planejadas. Uma eventual discussão sobre privatização caberá a futuros governos, mas hoje mostramos na prática que a Sanepar é sustentável, inovadora e tem plena capacidade de liderar o saneamento do país como empresa pública”, resumiu.

Ele citou como prova da eficiência do modelo atual a execução do plano de investimentos de R$ 13 bilhões até 2030, que permitirá à Sanepar antecipar a universalização do saneamento no Paraná para 2029 — quatro anos à frente da meta nacional estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento.