Novo júri popular

Justiça solta acusado de mandar matar casal após festa neonazista no Paraná

Fotografia em primeiro plano do tipo retrato aproximado de um casal jovem posando lado a lado com as cabeças encostadas. Em primeiro plano, à esquerda, destaca-se um homem de pele clara e cabelos escuros curtos, vestindo uma camisa social de mangas compridas preta com finas listras verticais em tom claro/esverdeado. À direita, enquadrada do peito para cima e com a cabeça apoiada suavemente na dele, está uma mulher de pele clara, olhos castanhos e cabelos castanho-claros amarrados para trás, vestindo uma regata branca de alças largas sobre top preto de alças finas. Ambos olham diretamente para a câmera com expressões neutras e leves sorrisos. No plano intermediário e ao fundo, ligeiramente desfocados, veem-se cadeiras e mesas de plástico branco em um ambiente social sob iluminação indireta/noturna.
Bernardo e Renata foram assassinados após uma festa que reuniu neonazistas em um chácara na zona rural. Foto: Arquivo Pessoal.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) anulou a condenação de Ricardo Ferreira Barollo, apontado como o mandante do assassinato de um casal em 2009, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Com a decisão proferida pela 6ª Câmara Criminal do TJ-PR, nesta quinta-feira (1º), a sentença de 48 anos e 9 meses de prisão perde a validade. Barollo será colocado em liberdade e terá que passar por um novo julgamento popular.

O crime aconteceu no dia 20 de abril de 2009, em Quatro Barras. As vítimas, Bernardo Pedroso, de 24 anos, e Renata Waechter Ferreira, de 21, tinham acabado de sair de uma festa em Campina Grande do Sul que comemorava os 120 anos do nascimento de Adolf Hitler.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), o casal foi executado por causa de uma disputa pelo comando de um grupo neonazista.

Na volta para casa, o carro das vítimas foi seguido e acabou cercado no acostamento da rodovia por outro veículo. Dois homens encapuzados e armados desceram e atiraram várias vezes contra Bernardo e Renata, que morreram no local.

Outro acusados foram condenados

O caso levou mais de 15 anos para chegar ao júri popular. Em março de 2025, o Tribunal do Júri de Campina Grande do Sul julgou quatro acusados de envolvimento na execução e determinou as seguintes penas:

  • Jairo Maciel Fisher: pegou 32 anos e 3 meses de prisão.
  • João Guilherme Correa: foi condenado a 35 anos e 2 meses. Ele fugiu dias antes do julgamento e ficou foragido até junho deste ano, quando acabou preso em Pavia, perto de Milão, na Itália, em uma ação conjunta da Polícia Civil do Paraná com autoridades internacionais.
  • Rodrigo Motta e Rosana Almeida Oliveira: foram absolvidos no mesmo julgamento.

Barollo, por sua vez, foi julgado em separado dois meses depois, em maio de 2025, quando acabou condenado a quase 49 anos de reclusão como mandante das mortes.

Reviravolta no caso

A reviravolta no processo veio após a defesa de Barollo recorrer ao TJ-PR por meio de embargos infringentes. Os advogados sustentaram que a acusação usou no plenário gravações em vídeo de depoimentos vindos de outro processo.

Como essas testemunhas não depuseram diretamente aos jurados no dia do julgamento, a defesa alegou que não pôde fazer perguntas nem contestar as falas na hora, o que feriu o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Os desembargadores concordaram que a exibição dos vídeos comprometeu a validade do julgamento e determinaram que um novo júri seja realizado perante outro Conselho de Sentença.

Em nota assinada pelo advogado Adriano Bretas, a defesa de Ricardo Barollo informou que recebeu a decisão com serenidade e que a anulação reconhece uma ilegalidade apontada desde o início do processo. A defesa afirmou ainda que vai demonstrar a inocência e buscar a absolvição do cliente no novo julgamento.

Já o advogado José Carlos Portella Júnior, que representa a família de Renata Waechter Ferreira, declarou consternação com a soltura do réu após 16 anos de espera por justiça. A família informou que vai analisar os próximos passos em conjunto com o MP, mas ressaltou que confia em uma nova condenação e no retorno de Barollo para a cadeia.

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