Chuniti Kawamura / O Estado do Paraná
Em Bocaiúva do Sul, na região de Curitiba,
estão concentrados 80 apicultores.

A apicultura – criação de abelhas para produção de mel e derivados – experimentou uma explosão no mercado em 2003, e agora vive a expectativa de poder manter a posição. A produção média do País é 40 mil toneladas. As exportações brasileiras, nos últimos três anos, saltaram de US$ 231 mil para US$ 45,5 milhões -dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A maioria dos produtos foi absorvida pelos Estados Unidos e Alemanha. Esse desempenho, considerado o melhor dos últimos vinte anos, animou os apicultores, porém não agradou o mercado interno, já que o preço chegou a um pico entre R$ 8 e R$ 10 o quilo do mel. Isso provocou uma retração no consumo. Além disso, algumas regiões também vêm sentindo dificuldades em relação a redução de áreas.

É o caso do Vale do Ribeira, considerado um dos principais pólos de apicultura do Paraná. De acordo com o técnico agrícola da Emater Ronei José Tres, só em Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, estão concentrados oitenta apicultores, que têm uma produção média de 80 toneladas/ano de mel. Nos últimos anos a agricultura vem dando espaço para a plantação de pinus. “Aliado a isso, a safra sofreu com o clima, que não foi muito bom, e também acabou refletindo na produção”, disse Ronei.

Roubos

Mas para os irmãos João Davi e Adilson Sérgio Scremin, que trabalham há trinta anos com apicultura, um outro fator teve influência no mercado: o aumento da concorrência. Segundo eles, com o produto sendo exportado e os preços valorizados, muitas pessoas resolveram investir no negócio, o que acabou atrapalhando quem já era do ramo.

“Foram os fazendeiros e pequenos produtores que, vendo a possibilidade de lucro fácil, investiram no negócio e acabaram reduzindo as margens de quem já estava nele há mais tempo”, avaliou Adilson Scremin. Juntos, os dois apicultores produzem uma média de 15 mil quilos por ano. O produto, que era vendido por R$ 2 o quilo, dobrou no ano passado. Mas apesar desse resultado, eles garantem que vão apenas manter a estrutura existente do negócio, sem pensar em novos investimentos.

Outro fator que vem preocupando a família Scremin são os roubos de apiários. Só de uma área foram levadas 25 caixas. De acordo com João Scremin, o aumento do preço do produto estimulou a venda ilegal do mel. A situação é grave, diz, “pois esses vândalos vêm à noite, entram nas propriedades, quebram as caixas e levam o mel sem que a gente possa fazer nada”.

Apicultura é de baixo custo

Considerada uma atividade de preservação, a apicultura pode ser uma atividade complementar de baixo custo. De acordo com o técnico da Emater Ronei José Tres, para a criação de 30 colméias, que produzem 600 quilos por ano, o investimento chega a R$ 4 mil. O retorno começa a partir do segundo ano da atividade. “Dá até para se dizer que em dois anos todo o investimento é zerado”, destacou Ronei.

A Emater mantém cursos regulares sobre a apicultura. Os próximos vão acontecer nos meses de setembro, outubro e novembro. As atividades são desenvolvidas durante dois dias, com atividades teóricas e práticas.

Serviço – Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (41) 250-2100.

Merenda escolar é incrementada com mel

Mais de vinte mil alunos da rede escolar de Maringá tiveram um incremento na merenda escolar. Há dois meses, a Prefeitura substituiu o açúcar de bolos e achocolatados por mel. O produto também é servido para o consumo com pães e bolachas. A idéia é reforçar a alimentação das crianças – já que o mel é rico em vitamina C e outros nutrientes -, bem como estimular a produção no município.

Segundo o diretor de Agricultura e Abastecimento da Prefeitura, Elson Borges dos Santos, a apicultura é uma importante atividade, principalmente para a agricultura familiar, podendo ser uma excelente opção para a diversificação da propriedade. Da atividade podem ser extraídos mel, geléia real, própolis, cera e pólen, com ampla utilização em áreas como alimentação e indústrias farmacêutica e os cosméticos.

Em Maringá – onde a produção chega a 1,5 tonelada – a Prefeitura vem estimulando a apicultura, e dando suporte para o seu desenvolvimento. De acordo com Elson, o município repassa as caixas para o início da produção e o material é pago com mel, que é repassado para as escolas. “Nossa meta com isso é fazer a produção dobrar no município”, afirmou. Ele destacou que o projeto atende toda a cadeia, já que estimula a produção, distribuição e o consumo.