Uma simples ida à manicure ou à pedicure pode se tornar um problema tanto para clientes quanto aos profissionais. Eles podem ser infectados pelo vírus da hepatite B, doença silenciosa e que causa danos sérios no fígado, em especial a cirrose e o câncer.

O contágio acontece por meio de contato sanguíneo. Um pouco de sangue pode ficar no alicate depois de algum acidente ao retirar a cutícula, por exemplo. Para evitar a transmissão, os equipamentos utilizados nos serviços devem ser limpos e esterilizados corretamente.

Manicures, pedicures e podólogos também estão sendo aconselhados sobre os cuidados para prevenir a doença, além de depiladoras e tatuadores. Ontem, no Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, a Secretaria Municipal de Saúde visitou salões de beleza e clínicas de estética de Curitiba, reforçando as orientações por meio de abordagens e distribuição de cartilhas.

Os profissionais também foram convidados a tomar a primeira dose da vacinação contra a hepatite B e a seguir com a imunização. Para ter efeito, é necessário completar a vacinação com outras duas doses.

A segunda deve ser tomada após um mês da primeira vacina. A terceira dose vai completar o ciclo, cinco meses depois da segunda vacina, de acordo com Juliane Oliveira, coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde.

“A vacina contra a hepatite B já estava na rede para crianças e outros grupos. Recentemente, a cobertura foi ampliada, inclusive para os profissionais desta área”, explica. Não é preciso repetir a vacinação após as três doses aplicadas dentro do tempo correto.

Oliveira afirma que a limpeza e a esterilização dentro dos padrões orientados pelas autoridades de saúde podem eliminar o vírus da hepatite B. No entanto, ela aconselha os clientes a levarem seus próprios materiais para o salão de beleza, que também devem colaborar e permitir este uso.

A hepatite B, assim como o tipo C, podem ser transmitidas por relações sexuais, além do contato do sangue. São doenças silenciosas. Chegam a causar mal estar, vômitos e náuseas, mas podem ser confundidas com outras doenças e as pessoas afetadas muitas vezes nem procuram um médico.

As hepatites podem se tornar doenças crônicas e entre as complicações estão a cirrose e o câncer no fígado. Estima-se que 1% da população da região Sul do País tenha hepatite B.

A notificação dos casos é obrigatória, mas nem sempre isto acontece. No ano passado, houve 147 registros (dado preliminar) em Curitiba. A Secretaria Municipal de Saúde vacina cerca de 6,6 mil pessoas por mês contra a doença, sendo a maioria (95%) crianças de até um ano de idade.