Malha Sul

Prazo para sugerir mudanças na nova concessão ferroviária termina na próxima semana

Imagem mostra um trem azul em uma ferrovia, com detalhe para a linha que percorre grande parte da imagem com o trem ao fundo.
Foto: Jaelson Lucas/AEN

Entrou na reta final o prazo para que empresas, entidades públicas e a sociedade civil apresentem contribuições à proposta de concessão da Malha Sul. Os interessados em enviar sugestões à Audiência Pública nº 11/2026, realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), têm até as 23h59 do dia 30 de setembro para protocolar as propostas.

O projeto em discussão abrange 4.248 quilômetros de ferrovias e contempla os corredores de escoamento do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a integração com o Mercosul. Ao todo, os investimentos estimados somam R$ 53 bilhões, considerando despesas de capital e de operação ao longo do novo contrato.

A reestruturação é vista como estratégica para a logística do Sul do país, já que o contrato de concessão vigente com a empresa Rumo expira em fevereiro de 2027. Também existe a expectativa de que o novo contrato impulsione o uso dos trens no Paraná, fortalecendo a estrutura até o Porto de Paranaguá, por exemplo.

Além disso, um dos pedidos envolvendo a nova concessão é para a retirada dos trilhos que cortam as cidades do estado. Em todo o Paraná, entre 2020 e 2026, ocorreram acidentes envolvendo trens em 45 municípios. Foram 72 mortes, 302 pessoas feridas e um total de 764 acidentes com trens.

Curitiba conta com 51 passagens em nível, que cortam 21 bairros e somam 40,7 quilômetros de trilhos. Segundo a prefeitura, a passagem do trem por diferentes regiões impacta a rotina de cerca de 467 mil moradores.

Além dos congestionamentos provocados pela interrupção do trânsito para a passagem das composições, o município justifica que a retirada dos trilhos representa mais segurança. Dados da ANTT mostram que, entre 2005 e 2025, foram registradas 433 ocorrências na ferrovia operada pela concessionária Rumo Malha Sul. O número é superior ao da segunda cidade brasileira com mais ocorrências, que é Juiz de Fora (MG), com 247. Somente entre 2021 e 2024, foram contabilizados em Curitiba 152 acidentes, com mais de 60 pessoas feridas e 27 mortes.

Originalmente, o prazo para contribuições estava previsto para terminar em 10 de agosto. Contudo, a ANTT prorrogou a data para garantir maior tempo de análise da documentação técnica por parte do setor produtivo. O acervo em consulta pública inclui os estudos de viabilidade técnica e ambiental, o modelo econômico-financeiro, a matriz de riscos e as minutas do edital e do contrato.

A consulta pública já contou com quatro sessões presenciais realizadas em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, além do recebimento de cerca de uma centena de contribuições formais pelo sistema do órgão regulador.

Próximos passos

Conforme o cronograma da ANTT, os estudos técnicos já foram concluídos. A audiência pública que está em andamento é a etapa que antecede a análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Posteriormente, devem ocorrer a publicação do edital, o leilão e a assinatura do novo contrato.

Como participar da consulta pública sobre a Malha Sul

As sugestões e apontamentos devem ser encaminhados exclusivamente de forma digital pelo Sistema ParticipANTT (no portal oficial da ANTT). Podem participar do processo empresas do setor de logística e infraestrutura, órgãos governamentais, entidades de classe e qualquer cidadão interessado no futuro do transporte ferroviário regional.

  • O que está em consulta: Minutas de edital e contrato da concessão da Malha Sul (Audiência Pública nº 11/2026)
  • Prazo final: 30 de setembro de 2026, às 23h59 (horário de Brasília)
  • Onde enviar: Sistema ParticipANTT (participa.antt.gov.br)
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