Situação de emergência

Paraná enfrenta mais de 24 horas de apagão após temporal que derrubou 282 postes

Fotografia de uma árvore caída sobre o meio fio. Ao lado esquerdo, há um muro na cor azul-escura e é possível ver o meio-fio da calçada.
Rajadas de vento causaram estragos derrubando árvores, destelhando casas e quebrando de postes. Foto: Copel.

Uma sequência de tempestades severas acompanhadas de granizo e rajadas de vento deixou um rastro de estragos e cidades paranaenses na escuridão entre a noite de segunda-feira (21) e esta quarta-feira (23). De acordo com a Defesa Civil Estadual, pelo menos 30 municípios registraram estragos graves.

O fenômeno causou destelhamentos massivos, quedas de árvores sobre vias públicas e destruiu centenas de estruturas da rede elétrica, paralisando serviços básicos e mobilizando forças de segurança por todo o Estado.

No momento mais crítico dos temporais, cerca de 257 mil unidades consumidoras ficaram completamente sem energia elétrica em solo paranaense. O impacto do vento — que ultrapassou a marca de 124,9 km/h na região Norte — provocou a queda e a destruição de 282 postes de energia em várias regiões do Estado.

A Copel mantém uma operação de emergência mobilizando mais de mil equipes em campo para reconstruir os trechos destruídos, tendo conseguido restabelecer o serviço para a maioria dos afetados, mas cerca de 36,6 mil imóveis continuam no escuro no Paraná.

A extensão dos estragos em dezenas de cidades levou o Governo do Paraná a enviar equipes de resposta rápida e insumos de emergência. A Defesa Civil e o Simepar chegaram a emitir 40 alertas de risco alto e muito alto durante o período crítico.

No atendimento à população, o Corpo de Bombeiros e as prefeituras trabalham na desobstrução de estradas estaduais — com registros de problemas na PR-662, PR-473 e PR-158 — e na distribuição de materiais de cobertura para centenas de moradias afetadas.

Apucarana concentra o cenário mais grave

Entre os municípios atingidos, Apucarana, no Norte do Paraná, vive o cenário mais complexo. A cidade foi atingida por vendavais de quase 125 km/h que quebraram 74 postes da rede elétrica de uma só vez.

O fenômeno que atingiu a cidade foi classificado, nesta quarta-feira, como um downburst, uma microexplosão em que que produz fortes rajadas de vento descendentes, em vez do movimento rotativo característico dos tornados.

Mais de 24 horas após o temporal, cerca de 16,4 mil imóveis continuavam sem energia elétrica na cidade, o equivalente a 26% de todos os clientes locais. O município já prepara a documentação para decretar Situação de Emergência.

Diante do volume de chamados em Apucarana, o Corpo de Bombeiros precisou convocar militares de folga e alunos do curso de formação para erguer um posto de comando unificado junto ao Exército Brasileiro e à prefeitura.

Apenas no município, mais de 620 famílias receberam atendimento emergencial e foram destinadas mais de 3,2 mil telhas e 100 bobinas de lona para socorrer casas e prédios públicos atingidos, como o Terminal Urbano e a Catedral da cidade.

Alerta na saúde e abastecimento de água

A paralisia do sistema elétrico gerou reflexos imediatos em serviços essenciais pelo Paraná. Em Apucarana, a interrupção do fornecimento atingiu o Hemonúcleo local logo após a tempestade, prejudicando os estoques de sangue.

Para evitar o desabastecimento da rede hospitalar, o Hemocentro Regional de Londrina e o Hospital Universitário (HU-UEL) lançaram uma convocação de emergência para doadores voluntários. A prioridade é para os tipos sanguíneos O negativo (O-), O positivo (O+), AB negativo (AB-) e A negativo (A-).

A Sanepar também precisou acionar um plano de emergência com caminhões-pipa para abastecer hospitais, postos de saúde e fornecer copos de água à população atingida em municípios onde a falta de luz paralisou as estações de bombeamento e captação de água potável.

Para dar conta da reconstrução do sistema elétrico nas cidades afetadas, a Copel mobilizou 1.065 equipes atuando simultaneamente pelo Estado, sendo 96 delas concentradas exclusivamente em Apucarana.

Em nota para a Tribuna do Paraná, a companhia ressaltou que, em casos de tempestades extremas com ventos acima de 120 km/h, o trabalho não se resume a religar chaves no sistema, mas sim a reconstruir a infraestrutura do zero, o que envolve o uso de máquinas pesadas, remoção de árvores de grande porte e troca completa de estruturas e cabos rompidos.

A concessionária informou que destina R$ 2 bilhões em 2026 para a modernização e reforço da rede de distribuição de energia no Paraná, além de ter realizado mais de 860 mil podas preventivas de árvores nos últimos 12 meses.

No entanto, ressaltou que a severidade atípica dos ventos registrados nos últimos dias causa estragos estruturais graves que demandam tempo e atuação coordenada de segurança para o restabelecimento completo de cada imóvel.

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