A principal causa de acidentes de trânsito está na falta de percepção de que as ruas são um espaço público e que é preciso respeitar a legislação de trânsito para o bem de todos.

A psicóloga especializada em trânsito, Neuza Corassa, estudou durante muitos anos o comportamento dos motoristas e chegou à conclusão de que há cinco tipos principais de condutores, embora cada motorista possa ter aspectos relativos a mais de um tipo (veja ilustração).

Entre os dois tipos, os maiores causadores de acidentes são os ‘donos do mundo’ e os ‘perigosos por natureza’. O primeiro tipo diz respeito aos cidadãos que deixam de respeitar a legislação e as regras de trânsito e quando cometem erros costumam transferir a responsabilidade alegando que a sinalização não estava clara ou que a culpa foi do outro condutor.

Já os ‘perigosos por natureza’ representam uma parcela pequena dos motoristas, são aqueles que possuem algum tipo de transtorno psiquiátrico e podem sofrer um surto no trânsito.

Ela alerta também que, embora não estejam incluídos em um grupo determinado, há grande número de acidentes causados por pessoas que utilizaram álcool ou outras drogas antes de dirigir.

Para ela, em todos os casos é preciso estabelecer punições mais rigorosas e efetivas para que os condutores possam mudar seus hábitos que acabam colocando em risco os outros usuários.

Leis

‘Geralmente as campanhas são dirigidas para a educação das crianças, mas o problema gravíssimo é na geração atual. Estes motoristas precisam – antes da campanha de educação – de leis claras e punição para garantir a mudança de comportamento’, afirma. Segundo ela, embora as leis brasileiras sejam boas deixam de ser aplicadas ou são flexibilizadas com o passar do tempo.

Neuza esclarece que há também aqueles motoristas que se envolveram em um acidente por fatalidade. Mas, segundo a psicóloga, esse número é bem menor que o dos imprudentes, que não chegariam sequer a ficar abalados psicologicamente pelo acidente que causaram.

Ruas são extensões do espaço privado

Em busca das causas para este comportamento no trânsito, a psicóloga ampliou a pesquisa, estudando o ‘uso do carro como extensão da casa e os conflitos no trânsito’.
No estudo, ela chegou à conclusão de que os motoristas com comportamento inadequado consideram as ruas a extensão do espaço privado e fazem o que bem entender nas vias.

‘As pessoas saem de suas casas, entram em seus carros e não se dão conta que passaram do espaço privado para o público, continuando a agir como se estivessem em casa. Querem que o outro motorista saia da frente porque entendem que aquele é seu espaço e não observando regras como os limites de velocidade’, define.

Educação

Ela explica que, para mudar a realidade do trânsito, é preciso que a sociedade perceba que está não é mais só uma questão de educação. É preciso se unir para garantir a aplicação das leis, denunciar as infrações e impedir que motoristas sem condição de dirigir saiam às ruas.

A segunda parte é uma ação individual buscando melhorar a qualidade de vida e seus valores. ‘É preciso parar e pensar que você é importante para alguém, saber dizer não a tantos compromissos, procurar ter cuidado e buscar coisas que deixem a vida melhor para também se tornar um motorista melhor’.