A promotora de eventos Leli Lourenço Córdova, 48 anos, passou por perícia médica na última quinta-feira. Como a Tribuna já mostrou, o procedimento faz parte do processo judicial que ela deu entrada na Justiça Federal, no início do ano, para conseguir do SUS um medicamento de quase R$ 9 mil, cuja caixa dura apenas um mês. Leli tem um adencarcinoma de pulmão, um câncer que já está em estágio avançado, sem cura, e o medicamento Tarceva é imprescindível para mantê-la viva.

De acordo com o advogado de Leli, Paulo Bulotas, o laudo dado pelo médico que fez a perícia, o oncologista Alessandro Cury Ogata, foi muito favorável. “O médico confimou a doença e também disse que o medicamento é o correto e mais indicado ao caso dela”. Devido à emergência do caso, no mesmo dia da perícia o especialista em câncer anexou o laudo ao processo.

A paciente levou à perícia todos os exames que fez e o prontuário médico desde que descobriu a doença. Não foi pedido nenhum exame extra e o médico concluiu sua análise apenas examinando-a no consultório.

Correria

No dia da entrega do laudo, a Justiça intimou as partes (Leli e os réus, secretarias de saúde municipal e estadual, além do Ministério da Saúde) para se pronunciarem em até 10 dias sobre o parecer do oncologista. Caso nenhuma das partes se manifeste, pedindo mais exames ou esclarecimentos, o juiz tem cinco dias para dar sua sentença. Ou seja, em 15 dias Leli pode conseguir que o SUS forneça o remédio. Se alguma das partes se pronunciar, a sentença pode demorar entre 20 e 30 dias.

Corrida contra o tempo

Apesar de o advogado de Leli estar confiante na decisão do juiz em 15 dias, serão necessários mais alguns dias adicionais até que o processo chegue a Curitiba e a parte responsável por ceder o medicamento entregue a primeira caixa a ela. A paciente está preocupada porque o último comprimido acaba na próxima segunda-feira (13). Quando ela para de tomar o medicamento, o máximo que consegue ficar sem ele são 10 dias. Depois, começa a sentir tonturas e dores fortes de cabeça.

Além da doação de amigos e rifas, as bandas com quem Leli trabalhava antes da doença vêm fazendo alguns bailes beneficentes para arrecadar dinheiro. A última festa, no mês passado, rendeu apenas 25% do preço de uma caixa do Tarceva. Ela espera que a decisão do juiz saia logo, pois a promotora não sabe mais onde conseguir dinheiro. “Todo mundo tem sua vida para cuidar, suas contas para pagar. Uma hora ninguém mais vai doar”, desespera-se.