A mão em forma de “L”, que se tornou símbolo da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva desde a eleição presidencial de 1989, ainda emociona o seu criador, o paranaense Mário Milani. Editor do caderno de Informática do jornal O Estado do Paraná no período de 1995 a 2001, o jornalista Milani conta que não imaginava que a marca se consolidaria e chegasse até mesmo a lugares menos acessíveis. Nem que fosse repetido por milhões de brasileiros, como um gesto de cumprimento e o símbolo de esperança. Pois o “L” se tornou uma mania nacional, e o seu criador revela que não ganhou um tostão por isso. “Fiz por ideais e hoje sei que ajudei a construir um pouco desse novo presidente”, diz com orgulho Milani, militante do PT. Ele conta que a direção do Partido dos Trabalhadores e o próprio Lula sabem quem criou a marca, e isso é o que importa. “Tenho o reconhecimento da direção nacional.”

Milani sempre esteve ligado a movimentos sociais, mesmo antes da criação do PT. Quando foi coordenador de campanha eleitoral em Cascavel, descobriu a necessidade de fazer materiais de propaganda com custo praticamente zero. “Fiz a proposta do uso da linguagem não-verbal, e percebi que a mão poderia ser uma forma de fazer propaganda”, conta o jornalista. Tornou-se coordenador de propaganda de Lula no Paraná e, durante a reunião da coordenação nacional da campanha Lula Presidente – que reuniu o comitê central, equipe de marketing, executiva do PT e coordenadores de 22 estados -, Milani apresentou a marca.

Emoção

Ver sua criação sendo repetida por milhões de brasileiros, inclusive crianças, ainda emociona Mário Milani. “Uma cena que desabei a chorar foi quando, na comemoração da vitória de Lula na Marechal Deodoro, vi uma pessoa pedindo cigarro a outra. E ao invés de o rapaz fazer um gesto de agradecimento, simplesmente fez o aceno de um “L”. O outro respondeu com o mesmo gesto. Foi algo fraternal, e era isso que eu queria quando criei a marca”, conta.