Fazer da leitura um dever
pode desestimular as crianças.

Para muitas crianças, a leitura não é tida como um hábito prazeroso e divertido, mas como uma obrigação imposta pela escola que acaba reduzindo o tempo disponível para ficar brincando. A falta de disposição para os livros se faz presente em pessoas de todas as idades. Porém, é considerado um problema grave durante a infância e que acaba repercutindo de forma negativa na vida adulta.

“A criança que não lê torna-se um adulto com conhecimento limitado, menor senso crítico, com dificuldades para exercer sua cidadania e limitações profissionais”, comenta a bibliotecária-chefe da divisão de coleções especiais da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, Neide Camargo Mutti. Segundo ela, a sessão infantil da Biblioteca Pública está cada vez mais vazia e o mesmo deve estar acontecendo com outras bibliotecas existentes no País.

Ela acredita que no Brasil ainda não exista o hábito da leitura, que tem início justamente na infância. “Geralmente quando os pais não lêem, acabam não incentivando seus filhos a ler. Para que uma criança goste de ler, deve ter primeiro o exemplo dentro de casa. Depois, na escola, deve contar com o apoio de professores e bibliotecários, que podem ajudá-la a escolher o livro mais adequado para sua faixa etária e seu nível de leitura.”

Neide explica que incentivar as crianças a ler não é uma tarefa difícil. Aos pais, basta disponibilizar de quinze a vinte minutos do dia para lerem um livro de histórias junto com os filhos. Já os professores, devem incentivar seus alunos a ler, não fazendo da leitura uma obrigação ou um dever. “Os professores devem orientar e não impor determinada leitura. Eles devem trabalhar individualmente com as crianças e dar liberdade para que elas escolham o que elas querem ler”, diz Neide. “Até a quarta série do ensino fundamental, por exemplo, as crianças gostam muito dos contos de fada. A partir da 5.ª , os livros de aventura e os clássicos passam a ser uma boa opção.”

O contato com os livros deve acontecer logo nos primeiros meses de vida. No mercado, existem livros especiais para crianças pequenas, feitos com materiais que não rasgam e que apresentam, em sua maioria, apenas ilustrações que desenvolvem o imaginário.