O padre Binu Joseph Chollackal, da Diocese de Paranaguá, no litoral do estado, foi preso preventivamente nesta terça-feira (11) após pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR). À Tribuna do Paraná, o órgão informou que a prisão ocorreu pelo descumprimento de medidas cautelares, já que o sacerdote vinha abordando testemunhas, o que coloca em risco a instrução dos processos em que é réu por crimes sexuais e violência psicológica.

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Cinco ações penais relacionadas ao investigado tramitam atualmente, todas sob sigilo. Em março deste ano, ele foi condenado em primeira instância pelo crime de violação sexual mediante fraude praticado contra uma jovem de 20 anos. A sentença, assinada pela 2ª Vara Criminal de Paranaguá, determinou que o cumprimento da pena de dois anos e 11 meses fosse em regime inicial semiaberto.

A denúncia relacionada a esse caso foi apresentada em outubro de 2025 e motivou o afastamento do pároco das atividades na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, na Ilha dos Valadares. Em novembro daquele ano, o MPPR o denunciou novamente, por atos libidinosos cometidos contra uma adolescente durante uma suposta sessão de benzimento, em município da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Esses fatos teriam ocorrido entre 2010 e 2011 e vieram à tona depois que a vítima soube da denúncia na cidade litorânea.

Denúncia por violação sexual mediante fraude e violência psicológica

Nesta semana, o padre Binu Joseph foi alvo de uma nova denúncia da 3ª Promotoria de Justiça de Paranaguá, pelos crimes de violação sexual mediante fraude com abuso de autoridade religiosa e violência psicológica, praticados contra uma mulher. Essa acusação ainda será analisada pela Justiça.

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Segundo o Ministério Público, os fatos descritos ocorreram entre 2017 e 2024. Sob o pretexto de realizar orações de cura e libertação de males espirituais, o denunciado teria feito falsos rituais para praticar atos libidinosos contra a vítima nas dependências da igreja e na residência paroquial, entre 2017 e março de 2020. “O denunciado teria se aproveitado da posição de liderança religiosa e da relação de confiança estabelecida com a vítima para praticar atos libidinosos e, posteriormente, submetê-la a sucessivas formas de violência psicológica”, afirma o MPPR.

Ainda conforme a denúncia, quando a mulher passou a questionar os atos e tentou se afastar, o religioso adotou condutas de violência psicológica para intimidá-la, como ligações e mensagens insistentes com ameaças, constrangimentos e tentativas de manipulação. Ele também teria utilizada a autoridade religiosa para desacreditá-la, segundo o MPPR.

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Em janeiro deste ano, a Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, onde o padre Binu atuava, ganhou um novo pároco.

O que dizem a defesa e a Diocese

Segundo a defesa do padre Binu Joseph Chollackal, as questões serão esclarecidas pela Justiça, e a prisão foi decretada para garantir a produção de provas.

“Esta defesa tem a plena e absoluta convicção que o Padre Binu Joseph trata-se de um sacerdote probo, que nunca pactuou com qualquer tipo de irregularidade ou ato ilícito durante toda a sua vida particular, pública e eclesiástica. Ademais, reafirma-se que seu trabalho de fé sempre foi pautado no mais estrito cumprimento da legalidade, da moralidade e da ética”, afirma nota assinada pelos advogados.

Também por meio de nota, a Diocese de Paranaguá comentou a prisão e informou que “acompanha os fatos, respeita a atuação das autoridades competentes e reafirma sua disposição para colaborar para o esclarecimento da verdade e a realização da justiça, sempre observando os direitos, as garantias fundamentais e a presunção de inocência de todas as pessoas envolvidas”.

“A Diocese manifesta sua solidariedade e proximidade pastoral às pessoas que possam ter sido atingidas pelos fatos, reafirmando seu compromisso com a dignidade humana, a proteção das pessoas vulneráveis e a prevenção de toda forma de violência e abuso. Neste momento, a Diocese pede que sejam evitados julgamentos precipitados e especulações, confiando que os fatos serão devidamente esclarecidos pelas autoridades competentes”, afirma o comunicado.