Com um sistema de saúde pública deficiente, pacientes da região metropolitana se veem obrigados a procurar atendimento em Curitiba, que por sua vez também enfrenta sucessivos problemas no setor por causa das greves em hospitais, falta de profissionais e de leitos em UTIs.

Mãe de cinco filhos, Regina Falcão, 35 anos, e sua família, sentem na pele o problema. Moradora de Piraquara, ela procurou o hospital Angelina Caron na noite da última terça-feira (26) por causa de uma forte dor de cabeça e tontura. “Ela foi lá para Campina Grande do Sul porque aqui em Piraquara não tem condições”, comenta o marido, Guilherme Domingues da Silva.

Após ser atendida e medicada, Regina foi liberada e, no caminho para casa, piorou e entrou em coma. Os familiares a levaram então para o Pronto-Socorro do Alto Maracanã, em Colombo, onde permaneceu à espera de leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até sábado, quando finalmente foi transferida para um hospital de Campo Largo.

Segundo o marido, os médicos consideraram o caso dela gravíssimo. “Estamos tentando juntar dinheiro para pagar uma tomografia porque pelo SUS demora muito e ela não pode mais esperar”, lamenta. Guilherme conta que, de terça até sábado, eles viram duas pessoas morrerem sem conseguir uma vaga. “Tem gente que está lá há 20 dias”. Antes da transferência, ele temia que a mulher não resistisse.

Limitações

A prefeitura de Colombo explica que o pronto-socorro está apto a prestar apenas o atendimento básico e que os casos mais graves têm que ser encaminhados para os hospitais da capital. O município também reclama da falta de verbas do governo para saúde no município e explica que a região metropolitana fica com apenas 30% de tudo o que é repassado para a Grande Curitiba.

O governo do Estado está ciente da deficiência da saúde na região metropolitana e diz que avalia a possibilidade da recuperação da Santa Casa de Colombo, que atualmente se encontra nas mãos da justiça. Há ainda a possibilidade da construção de um hospital regional no terreno cedido pelo município próximo à Estrada da Ribeira. A assessoria de imprensa do governo estadual informou que assim que houver uma definição, a prefeitura será comunicada.

Capital consegue exame, mas falta ambulância

De acordo com o superintendente de gestão da prefeitura de Curitiba, Matheos Chomatas, não é possível transferir Regina a qualquer UTI da capital antes de fazer a tomografia. Ele foi até Colombo para ver o caso dela e informou que havia uma suspeita de toxoplasmose. A prefeitura então conseguiu uma tomografia na Santa Casa de Curitiba, mas o município de Colombo precisava providenciar ambulância. Segundo Chomatas, Colombo não aderiu ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).