A Construtora Korchak e Korchak, com sede em Guarapuava, contratada pela Secretaria de Estado de Obras Públicas para executar as obras de ampliação da Universidade Federal do Paraná – Litoral, em Matinhos, vem fazendo uso de madeira certificada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), contribuindo assim para a preservação das matas nativas.

A exigência é feita pela própria Secretaria, em seus editais de licitação, seguindo determinação do governador Roberto Requião, que em maio de 2005 ampliou a fiscalização contra a chamada “madeira ilegal”, oriunda de matas nativas de dentro e fora do Paraná.

O construtor Lauro Korchak revela que todas as oito obras que a empresa executa para o governo do Estado utilizam pinus, eucaliptos e pinheiros provenientes de reflorestamentos próprios ou comprados nos municípios de Candói, Turvo e Tunas do Paraná.

“Desde que vencemos a licitação para construir a sede regional do IAP em Ivaiporã, abolimos a utilização de madeira ilegal. Em nossas obras só entram madeiras certificadas e com nota fiscal. Mesmo porque se comprasse madeira ilegal estaria dando ênfase ao desmatamento de árvores, como imbuia e araucária, algumas com mais de 300 anos. Um crime imperdoável com o meio ambiente”, afirma.

Korchak conta que, no passado, possuía uma fábrica de portas e janelas de madeira, cuja matéria-prima vinha das matas nativas do Paraná. “E, apesar dos constantes alertas dos órgãos de defesa do meio ambiente, não me preocupava em reflorestar. Um dia a floresta se foi e junto com ela a minha fábrica de portas e janelas. Hoje, temos 50 alqueires de reflorestamento. Se todos preservarem as matas nativas e reflorestarem, jamais haverá falta de madeira”.

O diretor da Universidade do Litoral e ex-presidente da Federação Nacional dos Engenheiros Agrônomos, Valdo José Cavallet, afirma que a construtora contratada para as obras de ampliação da universidade tem compromisso social e luta para a preservação do meio ambiente.

“Esta forma de trabalhar com madeira que possui selo de origem e que segue os padrões estabelecidos pela legislação comprova a seriedade da empresa para com as questões voltadas para o meio ambiente. E é muito bom que isto esteja acontecendo aqui, numa obra patrocinada pelo governo do Estado, dentro de uma universidade, que surgiu com o firme propósito de melhorar a qualidade de vida dos moradores do litoral paranaense, através de um crescimento sustentável”, acrescentou.

Obras

As obras de ampliação da Universidade Federal do Litoral contam com investimentos na ordem de R$ 4,7 milhões. São 7,1 mil metros quadrados de área construída e 2,450 mil metros quadrados de área reformada. Estão sendo construídos um prédio de cinco andares, com 24 salas de aula, um auditório de 406 metros quadrados e uma biblioteca de 413 metros quadrados. Tudo isto para que a universidade possa abrigar mais seis cursos ainda este ano e outros quatro até 2010, passando de um mil para dois mil alunos.

O encarregado das obra, Delson Gomes da Trindade, mais conhecido por “Pinheiro”, garante que a madeira certificada usada nas obras de ampliação da Universidade do Litoral são “mais retas e resistentes, o que facilita o nosso trabalho”.

Natural de Fernandes Pinheiro, uma pequena cidade na região dos Campos Gerais, Delson, que nasceu no sítio, disse que viu aos poucos as florestas sendo derrubadas, para dar lugar a soja. “O nosso sitio mesmo tinha muito pinheiro e mata nativa. Hoje, nada mais existe, só soja”, lamenta.

“Pinheiro” conta que, dias atrás, levou as duas filhas para conhecer o sitio onde nasceu e “elas perceberam que o lugar era totalmente diferente daquilo que eu falava. Nem a cabeceira de água existe mais. O homem pensa só nele. Ele não pensa no futuro”.

Mas o encarregado de obra acredita que as coisas estão mudando no Paraná. “Eu vejo isso na minha empresa, que vem usado madeira certificada, com plano de manejo. Acredito que, respeitando a natureza, é possível so,nhar com um futuro melhor”, finalizou.