Uma cobrança de R$ 255 mil por uma negociação de imóvel rural terminou com quatro homens mortos em Icaraíma, no Noroeste do Paraná. Mais de um ano após o crime, o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou quatro integrantes da família Buscariollo: Antônio Buscariollo e os filhos Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo.

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As vítimas eram Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. Os quatro foram mortos em agosto de 2025, depois de viajarem de São Paulo ao Paraná para cobrar o pagamento da dívida.

A denúncia foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Icaraíma em 2 de novembro. Os quatro homens são acusados de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada. Todos estão presos preventivamente.

Cobrança terminou em emboscada

Segundo a investigação da Polícia Civil do Paraná (PCPR), a dívida estava relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento havia sido dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil, mas nenhuma parcela teria sido quitada.

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No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego saíram de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para encontrar Alencar e cobrar o valor. Naquele mesmo dia, os quatro fizeram contato com Antônio e Paulo no distrito de Vila Rica, em Icaraíma. Uma tentativa de acordo envolvendo a entrega de uma casa na área urbana não avançou.

Na manhã seguinte, os quatro foram vistos pela última vez em uma panificadora da cidade. De acordo com a polícia, eles também conversaram com familiares por volta do meio-dia. A suspeita é de que tenham sido mortos cerca de 12h30, quando retornaram à propriedade rural dos investigados.

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Conforme as apurações, os homens foram surpreendidos por disparos em uma emboscada. Depois, os corpos e os veículos foram enterrados em estruturas clandestinas a aproximadamente 14 quilômetros do local das mortes. Os corpos foram encontrados mais de um mês depois, em um bunker.

Polícia aponta filho como mandante

A investigação policial apontou Carlos Henrique Buscariollo como mandante do crime. Ele seria o responsável por administrar a dívida cobrada pelas vítimas. Após os homicídios, os familiares teriam dividido as tarefas para esconder os corpos e os veículos.

A polícia não descarta a participação de outras pessoas no caso.

Para dificultar o trabalho dos investigadores, segundo o MPPR, os denunciados também teriam atuado em conjunto para apagar dados e modificar sistemas de celulares apreendidos e submetidos à perícia.

Investigação identificou outros possíveis crimes

O Ministério Público afirma que as apurações apontaram a atuação do pai e dos três filhos em atividades criminosas desde pelo menos dezembro de 2023. Entre as práticas investigadas estão fraudes envolvendo imóveis, homicídios, adulteração de sinais identificadores de veículos e ocultação de cadáveres.

Também foram identificados veículos com placas adulteradas, movimentações financeiras clandestinas e esconderijos subterrâneos de alvenaria em propriedades rurais. As estruturas, conhecidas como bunkers, seriam utilizadas pelo grupo.

Os quatro denunciados foram presos em São Paulo. Antônio e Paulo foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, em agosto de 2026, após mais de um ano foragidos. Os dois estavam na lista vermelha da Interpol. Carlos Henrique foi localizado em Santa Bárbara d’Oeste. Já Carlos Eduardo estava preso em São Bernardo do Campo por tráfico de drogas.

MP pede indenização às famílias

Para os quatro homicídios, o MPPR apontou quatro qualificadoras: motivo torpe, meio cruel, emboscada e uso de armas de uso restrito.

Além das penas previstas para os crimes, o Ministério Público pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 500 mil para reparar os danos morais e materiais causados aos familiares de cada uma das vítimas.

A Tribuna do Paraná tenta contato com a defesa dos envolvidos. O espaço segue aberto para manifestações.