O mercado de franquias segue em ritmo de expansão no Paraná. No primeiro trimestre de 2026, o setor movimentou R$ 5,26 bilhões no estado, resultado 8,87% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O desempenho veio acompanhado pelo aumento de 5% no número de operações e de 5,25% na geração de empregos, consolidando o Paraná entre os principais mercados do franchising brasileiro

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Os dados das Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que o estado encerrou março com 14,8 mil unidades franqueadas em funcionamento, ante 14 mil no primeiro trimestre de 2025. No mesmo período, o número de empregos diretos gerados pelas franquias saltou de 122,5 mil para quase 129 mil postos de trabalho. 

O avanço ocorre em um cenário de recuperação do consumo, fortalecimento do empreendedorismo e busca crescente por modelos de negócios já testados pelo mercado. Além disso, a presença de cidades médias e grandes distribuídas por todas as regiões do Paraná tem contribuído para a interiorização dos investimentos e para o fortalecimento das redes fora dos grandes centros. 

“Os resultados do primeiro trimestre de 2026 reforçam a força do setor de franquias paranaense e demonstram que o setor continua em trajetória consistente de crescimento. São indicadores que refletem a confiança dos empreendedores no modelo de franquias e a capacidade das redes de se adaptarem às novas demandas do mercado”, afirma Leonardo dos Anjos, diretor regional da ABF Sul. 

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O faturamento superior ao crescimento do número de unidades também chama atenção. Enquanto a expansão das operações foi de aproximadamente 5%, a receita cresceu quase 9%, indicando ganhos de produtividade e maturidade do setor. 

“Também destaco que o crescimento do faturamento acima da expansão das operações mostra um mercado mais maduro e eficiente, com redes fortalecidas e unidades mais produtivas. O Paraná segue se consolidando como um dos principais polos de franquias brasileiro, impulsionado pelo empreendedorismo, pela força das cidades do interior e pela diversificação dos segmentos”, destaca Dos Anjos. 

Saúde, beleza e alimentação puxam crescimento 

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Entre os segmentos avaliados, Saúde, Beleza e Bem-Estar foi o principal responsável pela movimentação financeira no estado. O setor faturou mais de R$ 1,36 bilhão no primeiro trimestre, crescimento de 15,2% em relação ao mesmo período de 2025. 

Na sequência aparecem Alimentação – Food Service, com R$ 821,7 milhões, e Serviços e Outros Negócios, com R$ 751,8 milhões. 

Em número de unidades, o destaque estadual ficou com Serviços e Outros Negócios, responsável por 3,3 mil operações, seguido por Saúde, Beleza e Bem-Estar, com 2,6 mil unidades, e Alimentação – Food Service, com 2,2 mil. 

Capital lidera, mas interior ganha força 

Curitiba continua sendo a principal vitrine de franquias paranaense. A capital encerrou o primeiro trimestre com 4.629 unidades franqueadas, crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

O faturamento chegou a R$ 1,57 bilhão, alta de 7,16%, mantendo a cidade como principal mercado consumidor e centro de expansão das redes. 

Mas é no interior que parte importante do crescimento vem ganhando tração. Ponta Grossa, nos Campos Gerais, registrou aumento de 9,12% no número de unidades, passando de 479 para 523 operações. O faturamento cresceu ainda mais: saltou de R$ 156,4 milhões para R$ 174 milhões, avanço de 11,2%. 

Na cidade, os maiores volumes de receita foram registrados pelos segmentos de Saúde, Beleza e Bem-Estar, Alimentação – Food Service e Serviços e Outros Negócios. 

Franquia criada em Ponta Grossa expande pelo país 

O avanço do mercado de franquias no Paraná também pode ser observado na trajetória de empresas nascidas no estado que encontraram no franchising uma forma de acelerar o crescimento. É o caso de uma rede especializada na locação de equipamentos para construção civil criada em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. 

Fundada como operação própria há quase três décadas, a empresa Mestre de Obras iniciou sua expansão por franquias em 2021, após um período de estudos sobre empreendedorismo e modelos de franchising. Antes de levar a marca ao mercado, a empresa utilizou suas próprias unidades como laboratório para validar processos, operações e padrões de atendimento. 

“Participamos de fóruns, reuniões e estudamos bastante o setor de franquias antes de estruturar o projeto. Adaptamos nossas lojas para funcionar como unidades-piloto e, depois de comprovar os resultados, iniciamos a expansão”, comenta o fundado, Marco Antonio de Borba. 

Em cinco anos de operação no sistema de franquias, a empresa alcançou cerca de 260 unidades em funcionamento, outras 100 em fase de implantação e aproximadamente 620 franquias comercializadas em todo o país. 

Segundo Borba, o Paraná continua sendo um dos mercados mais importantes para a rede. “As unidades paranaenses apresentam resultados muito positivos e crescimento consistente. O estado está entre os três melhores mercados da empresa em todo o Brasil”, conta. 

DNA empreendedor favorece o setor  

Para o coordenador estadual de Mercado Empresarial e Franquias do Sebrae/PR, Luiz Antonio Rolim de Moura, o desempenho do setor está diretamente ligado a características históricas e culturais do Paraná. Segundo ele, a forte tradição cooperativista presente no estado ajuda a explicar a receptividade ao modelo de franquias, que combina empreendedorismo individual com processos, padrões e suporte compartilhados por uma rede. 

“O Paraná tem uma cultura muito ligada ao trabalho cooperado. Isso faz com que o modelo de franquias seja visto de forma positiva, porque oferece uma estrutura organizada, com processos definidos e uma rede de apoio ao empreendedor”, explica. 

Rolim também destaca o perfil empreendedor dos paranaenses. O estado reúne uma das maiores concentrações de micro e pequenas empresas do país, além de milhares de microempreendedores individuais que enxergam nas franquias uma alternativa para iniciar um negócio com menor risco. 

Há, segundo ele, dois perfis predominantes de investidores. O primeiro é formado por pessoas que desejam empreender utilizando um modelo já validado pelo mercado, aproveitando a experiência acumulada da marca e reduzindo a curva de aprendizagem. O segundo reúne empresários que já possuem negócios consolidados e buscam diversificar investimentos ou expandir operações por meio de franquias. 

As microfranquias e franquias de pequeno porte, com investimentos entre R$ 50 mil e R$ 300 mil, estão entre as mais procuradas pelos investidores. Os segmentos de saúde, beleza, alimentação fora do lar e serviços especializados figuram entre os que apresentam maior potencial de crescimento, por permitirem padronização de processos, fortalecimento de marca e expansão para novas unidades. 

Outro diferencial apontado pelo especialista é a força dos polos regionais. Além de Curitiba e Região Metropolitana, cidades como Londrina e Maringá se consolidaram como importantes referências para o setor, ampliando as oportunidades de expansão para redes franqueadoras em todo o estado. 

Apesar das vantagens, Rolim ressalta que a decisão de investir em uma franquia exige planejamento. “Mais importante do que analisar apenas a rentabilidade é entender profundamente o modelo de negócio, as responsabilidades do franqueado e verificar se o perfil do empreendedor está alinhado à operação escolhida”, diz. 

Perspectiva positiva para 2026 

A expectativa do setor é de continuidade do crescimento ao longo do ano. A combinação entre expansão do empreendedorismo, fortalecimento das cidades do interior e amadurecimento das redes deve sustentar novos investimentos e ampliar a geração de empregos. 

“A expectativa da ABF Sul é que essa trajetória positiva continue ao longo de 2026, ampliando oportunidades de negócios, investimentos e geração de empregos no Estado”, afirma Dos Anjos.