Recuperação

Lutador que perdeu movimentos após golpe proibido fala pela 1ª vez: “tentando processar tudo”

Imagem mostra o lutador Willian Kabuto antes de sofrente uma grave lesão na medula e perder os movimentos do corpo.
O atleta, que sofreu uma grave lesão na medula, não sente as pernas e iniciou um tratamento domiciliar. Foto: Reprodução | Redes sociais

O lutador de jiu-jitsu Willian Hiroyuki Masuda, de 37 anos, conhecido como Kabuto, falou publicamente pela primeira vez após sofrer um golpe que o deixou sem movimentos do corpo. O atleta faixa preta perdeu a sensibilidade e os movimentos abaixo do tórax ao ser atingido por um golpe considerado proibido durante uma competição em Londrina, no norte paranaense, informou que recebeu alta hospitalar e segue o tratamento em internação domiciliar.

Em vídeo gravado para os apoiadores, Kabuto explicou que o período em casa exige cuidados intensivos de saúde e isolamento social, necessários para focar na reabilitação e assimilar o impacto emocional do ocorrido.

“Já estou em casa, fazendo um tratamento, uma integração domiciliar. Ainda preciso tomar alguns medicamentos, ter cuidados específicos que precisam ser verificados e continuados por profissionais. Por mais que eu esteja em casa, ainda preciso de um tempo isolado, tanto pelos cuidados físicos quanto por mim mesmo, que ainda estou tentando processar tudo isso, me recuperar e melhorar cada coisa para que a minha cabeça fique bem”, declarou o atleta.

O atleta também agradeceu o apoio do público: “Aos demais que vêm torcendo por mim, que vêm rezando, agradeço demais de coração. Vocês não imaginam como isso ajuda o coração a dar uma fortalecida e a cabeça, principalmente”.

Golpe proibido deixou faixa preta sem os movimentos do corpo

O acidente ocorreu no Ginásio Moringão, em Londrina, durante o campeonato Super Pro Jiu-Jitsu. Na ocasião, Kabuto disputava uma luta na categoria faixa-preta quando foi projetado contra o solo por meio da manobra conhecida como “bate-estaca” — golpe proibido por confederações da modalidade, como a CBJJ e a IBJJF, devido ao risco de traumas na coluna cervical.

Kabuto recebeu atendimento médico na arena e foi encaminhado ao hospital, onde passou por uma cirurgia de emergência.

O caso levou o Ministério Público do Paraná (MPPR) a apresentar uma notícia-crime solicitando à Polícia Civil a abertura de um inquérito policial. A promotoria indicou a possível prática de lesão corporal de natureza gravíssima com dolo eventual, destacando que a manobra é incompatível com os regulamentos de segurança do esporte.

O que dizem os envolvidos

A equipe jurídica do atleta Juliano Di Pelli Machado afirmou, em nota, que o lutador está “profundamente abalado” e prestando solidariedade à família de Kabuto. A defesa sustentou que Juliano é um atleta profissional com títulos internacionais e sem histórico de infrações, ressaltando que as circunstâncias da luta devem ser avaliadas via perícia técnica e pelos órgãos oficiais. Juliano declarou publicamente que jamais machucaria um colega intencionalmente e que segue em oração pela recuperação do adversário.

Já a direção do Super Pro Jiu-Jitsu comunicou, na época do acidente, que seguiu os protocolos de segurança previstos, oferecendo socorro imediato com equipe médica e ambulância local, e que presta assistência aos familiares da vítima.

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