Investigação

Novo laudo aponta substância tóxica em roupas de piloto morto após banho de óleo no Paraná

Piloto de avião morreu após receber banho de óleo. Foto: reprodução/Instagram.

Um novo laudo pericial indica que o fenol pode ter sido a substância responsável pela morte do piloto em formação Gustavo Henrique de Lara, de 27 anos, que passou mal após receber um banho de óleo em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O documento, finalizado na sexta-feira (18), apontou a presença da substância nas roupas usadas pelo piloto.

Segundo o laudo, o fenol é uma substância altamente tóxica, corrosiva e perigosa. O contato com o composto pode estar relacionado às queimaduras identificadas nas coxas, no abdômen e no rosto da vítima já constatadas em perícia. A substância também pode ter desencadeado o quadro de asfixia que levou à morte.

A asfixia ocorreu em razão de um edema das vias aéreas, ou seja, um inchaço provocado pelo acúmulo de líquido nos tecidos da garganta, que bloqueou a passagem de ar.

Segundo a perícia, o edema foi desencadeado pelo contato ou pela inalação de substâncias químicas irritantes presentes no produto utilizado durante o ritual. Ainda no aeroclube, quando Gustavo começou a apresentar os primeiros sintomas, equipes do Samu suspeitaram de uma reação alérgica grave.

Laudo aponta contradição

O fenol é um composto orgânico também conhecido como ácido fênico ou ácido carbólico. Na aviação, não costuma estar presente em sua forma pura, mas é utilizado como matéria-prima na fabricação de componentes estruturais, revestimentos e aditivos químicos. Alguns combustíveis de aviação civil e militar utilizam aditivos à base de fenóis impedidos (hindered phenols), empregados para evitar a oxidação.

No entanto, conforme as informações do inquérito, o fenol foi identificado nas roupas que Gustavo usava no dia da morte. Ao analisar o óleo utilizado na cerimônia de conclusão do voo solo, porém, a perícia não identificou a presença da substância na composição do produto.

A origem do fenol encontrado nas roupas é, agora, um dos pontos centrais da investigação. Os próximos passos serão esclarecer como a substância entrou em contato com Gustavo e qual foi sua relação com o quadro que levou à morte. Segundo informações do Bom Dia Paraná, da RPC TV, o inquérito deve ser concluído ainda nesta semana.

Relembre o caso

Em julho, Gustavo Henrique de Lara morreu horas depois de ser molhado com óleo de motor de aeronave, durante um ritual tradicional aplicado a alunos que concluem o curso e realizam o primeiro voo solo.

De acordo com a Polícia Civil, o jovem passou mal logo após receber o produto sobre o corpo e apresentou uma reação grave. Equipes do Samu foram acionadas e tentaram reanimá-lo, mas Gustavo não resistiu e morreu no hospital para onde havia sido levado.

O responsável por despejar a substância foi identificado como o instrutor do curso, que também mantinha uma relação de amizade com a vítima. Ouvido pelas autoridades, ele confirmou ter aplicado o óleo durante o ritual. Testemunhas que estavam no local também corroboraram a versão apresentada à polícia.

O instrutor deixou a prisão após pagar fiança de R$ 3 mil. A classificação penal, no entanto, ainda pode ser alterada conforme o avanço das investigações.

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