No Brasil, todos os anos, ocorrem mais de 300 mil casos de intoxicação por inseticidas ou raticidas. A maioria dessas ocorrências é causada pelo uso inadequado dos produtos ou de materiais impróprios. O presidente da Associação Paranaense dos Controladores de Pragas e Vetores (Aprav), Sérgio Luiz Castilho Daitschman, considera o esclarecimento da população um dos principais pontos para diminuir esses números.

“A sociedade, de uma forma em geral, precisa estar consciente da utilização desses produtos, assim como, estar esclarecida na hora de contratar uma empresa de controle de pragas”, disse. Segundo ele, uma das principais causas de intoxicação é a utilização de raticidas líquidos, que está proibido no Brasil desde 1985.

Outro problema é a venda de raticidas de forma fracionada, mais conhecidos como “chumbinhos”. “Eles são derivados do monofluracetato de sódio, que é um produto proibido mundialmente, mas que ainda é possível encontrar no mercado brasileiro”, afirmou. O que atrai o consumo desses produtos é custo baixo: geralmente são vendidos por R$ 1,99. De acordo com Daitschman, a comercialização é feita de forma clandestina, e até mesmo os comerciantes são lesados. “Os fabricantes usam registros e dados falsos na hora da venda. Procuramos orientar os comerciantes que esses produtos podem matar, e eles poderão ser enquadrados por essa responsabilidade”, alertou.

A Aprav também alerta quanto a contratação de empresas que fazem o controle de pragas. “Numerosos casos de intoxicação, e até morte de crianças e animais domésticos, são registrados em virtude da irresponsabilidade e falta de preparo técnico de quem oferece esses serviços”, denunciou Daitschman. O presidente da associação diz que antes de contratar uma empresa é preciso exigir alvará de localização e funcionamento, licença sanitária expedida pela Vigilância Sanitária e responsável técnico. Além disso, é necessário verificar se a empresa possui registro no conselho de classe, certificado de realização do serviço e fornecer um manual com orientações de como proceder com o ambiente depois da aplicação dos produtos. “Pedir referências de serviços anteriores também pode ser uma forma de garantia”, lembrou o presidente.

Evento

Com o objetivo de promover o aperfeiçoamento técnico e profissional das empresas controladores de pragas e vetores, e orientar o público em geral de como ter acesso com segurança e qualidade aos serviços de controle de pragas, a Aprav, em conjunto com a Associação de Pragas de Santa Catarina, está promovendo o Congresso Sul-Brasileiro de Atualização Tecnológica em Controle de Pragas e Vetores. O evento, que começou ontem e prossegue hoje na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Curitiba, também divulga experiências, novas soluções e produtos para o controle de pragas.

O presidente da Aprav, Sérgio Luiz Castilho Daitschman, disse que um principais assuntos que está sendo tratado no evento é sobre o HACCP, que visa à análise de perigos e pontos críticos de controle. “Esse é um programa implantado em toda a cadeia produtiva de alimentos, que vai desde a produção, industrialização, distribuição, armazenagem e comercialização”, disse. A medida visa possibilitar o rastreamento do produto, e cumpre uma exigência dos mercados nacional e internacional.