A diretoria do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, instaurou uma sindicância para investigar o desaparecimento de uma peça do sistema de telerradiografia de um equipamento adquirido por R$ 226 mil recentemente pela instituição. O procedimento, protocolado em 12 de junho, busca apurar se houve falha administrativa ou infração, além de identificar eventuais responsáveis.

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O desaparecimento ocorreu em uma área considerada de segurança, dentro de uma sala de acesso restrito e sem circulação de público. Por questões de segurança e para não comprometer o andamento das apurações internas, a direção do HUOP informou que manterá em sigilo as datas exatas em que constatou a ausência da peça.

À reportagem da Tribuna do Paraná, o hospital esclareceu que o equipamento ainda passava pela fase de testes e validações técnicas. “O equipamento não estava em uso assistencial, sendo assim, não houve interrupção, comprometimento ou prejuízo ao atendimento dos pacientes”. Além disso, afirmou que o componente é utilizado em situações específicas.

Segundo o HUOP, justamente por estar em fase de homologação, o setor recebeu ao longo dos últimos meses a circulação de profissionais técnicos externos, responsáveis por verificar procedimentos necessários para a validação do equipamento.

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A comissão responsável pela sindicância terá até 30 dias para concluir a investigação e apresentar um relatório final com as conclusões do caso. O hospital afirmou ainda que está colaborando integralmente com todos os procedimentos de apuração.

À reportagem, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) também instaurou um procedimento para apurar o furto da peça. “A equipe policial segue em diligências para apuração do ocorrido”, diz a nota.

Equipamento chegou ao hospital em setembro

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O equipamento envolvido na investigação é um tomógrafo computadorizado odontológico do tipo cone beam. A tecnologia resulta em imagens tridimensionais de alta definição com baixa exposição à radiação. O aparelho permite a realização de exames 3 em 1, reunindo radiografia panorâmica, tomografia e cefalometria.

A universidade justificou a compra como uma medida para ampliar e modernizar os serviços de diagnóstico por imagem da instituição. Com o equipamento, seria possível proporcionar maior agilidade na realização dos exames e, consequentemente, acelerar o diagnóstico dos pacientes.

A Unioeste anunciou, em seu site, a chegada do equipamento ao hospital em setembro do ano passado ao Centro de Atenção e Pesquisa em Anomalias Craniofaciais (Ceapac). O processo de aquisição, no entanto, tramitava desde 2024.

Equipamento não passou por licitação

O equipamento foi custeado com recursos provenientes de um Termo de Execução Descentralizada (TED). O procedimento funciona como um instrumento de repasse de recursos financeiros entre órgãos e entidades da mesma esfera de governo, neste caso, o Fundo Estadual de Saúde, para aquisição de bens.

O valor repassado pela Fundo para a compra do equipamento foi de R$ 226.307. Segundo o HUOP, não é possível estimar o valor somente do componente e nem a reposição dele enquanto a investigação não for concluída.

Setor de diagnósticos em meio a investigações

O desaparecimento da peça ocorre em meio às investigações da Operação Raio X, deflagrada no início de julho, que apura um suposto esquema de fraude em licitações para contratação de serviços de manutenção de equipamentos de radiologia no HUOP.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), a investigação aponta que um grupo manipulava processos licitatórios para favorecer uma empresa prestadora de serviços. Um servidor responsável pelo Centro de Imagens do hospital, que já afastado, teria recebido vantagens financeiras para beneficiar a contratada.

Apesar de envolver equipamentos da área de radiologia, o desaparecimento da peça do tomógrafo odontológico não faz parte do escopo da investigação. Diferente do objeto da investigação, a compra do equipamento não passou por licitação. Em nota, o HUOP informou que a operação tem como foco a empresa prestadora de serviços e reforçou que a instituição não é alvo da investigação.