O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizou, na manhã desta quinta-feira (9), uma operação para investigar um suposto esquema de fraude em licitações no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel. A ação cumpriu mandados em cinco cidades paranaenses e também no Ceará.
De acordo com o Ministério Público do Paraná (MPPR), o grupo manipulava processos de contratação para favorecer uma empresa responsável pela manutenção de equipamentos de radiologia. As investigações apontam que o esquema funcionou durante quase dez anos por meio da interferência em licitações eletrônicas promovidas pelo hospital.
Segundo o MPPR, um servidor que chefiava o Centro de Imagens e acompanhava os contratos teria recebido vantagens financeiras para beneficiar a empresa nas contratações. A investigação também identificou pagamentos considerados suspeitos, feitos pouco tempo depois de o hospital repassar recursos à empresa contratada.
À Tribuna do Paraná, o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) informou que não é alvo da investigação e que a nova fase da investigação concentra-se na empresa prestadora dos serviços. Em relação ao servidor citado nas apurações, a instituição afirmou que ele foi afastado das funções no início da operação.
“O desdobramento da investigação tem como foco a empresa prestadora de serviços. O HUOP tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo todos os contratos e documentos solicitados, e reitera seu compromisso com a transparência, a legalidade e a plena cooperação com a Justiça”, diz a nota.
Como funcionava o esquema
Segundo a promotora Juliana Vanessa Stofela da Costa, a investigação começou após uma denúncia formal que apontava a atuação coordenada de pessoas e empresas para direcionar contratos públicos.
“As investigações tiveram início após o recebimento de uma denúncia formal que relatava a atuação coordenada de pessoas físicas e jurídicas em práticas ilícitas, especialmente na contratação de serviços especializados de radiologia na área da saúde”, explicou.
As apurações indicam que os envolvidos apresentavam orçamentos falsos ou combinados antes da abertura das licitações. Com isso, elevavam artificialmente o valor de referência usado pelo hospital para contratar os serviços.
Durante a disputa eletrônica, as empresas participantes também deixavam de competir entre si. Segundo o Ministério Público, essa estratégia permitia que a empresa favorecida vencesse a licitação com descontos mínimos, próximos ao valor máximo previsto no edital.
Próxima etapas da operação
Esta é a segunda fase da Operação Raio X. Nesta etapa, o Gaeco cumpriu seis mandados de busca e apreensão expedidos pela 4ª Vara Criminal de Cascavel. As equipes estiveram em Cascavel, Curitiba, Maringá, Marialva e Londrina, além de Aquiraz, no Ceará.
A primeira fase da operação ocorreu em maio, quando o Gaeco cumpriu nove mandados em Cascavel, Quedas do Iguaçu, Cafelândia e Maringá.
Durante as buscas desta quinta-feira, os investigadores recolheram documentos, computadores, celulares e outros arquivos digitais. Agora, o material será analisado para verificar a participação dos investigados e identificar se o esquema envolveu outras pessoas ou contratos.
