Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) projeta que Curitiba teria potencial para ampliar em 92 quilômetros a rede de transporte coletivo. Caso os projetos analisados fossem implementados, a capital poderia chegar a 206 km de extensão e atender até 915,19 mil passageiros por dia.
A análise, que faz parte do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), também aponta que a ampliação exigiria investimentos entre R$ 11,73 bilhões e R$ 22,74 bilhões. O estudo, feito em parceria com o Ministério das Cidades, envolve 21 das regiões metropolitanas mais populosas do país.
O estudo considera sete trajetos para veículos leves sobre trilhos (VLT), um metrô entre as regiões Norte e Sul da cidade e a implementação de novas linhas de ônibus de trânsito rápido (BRT, na sigla em inglês).
O banco analisa que a adoção dessas medidas possibilitaria a queda de 24% no tempo médio de deslocamento e a redução nos acidentes com ônibus, evitando cerca de 1,07 mil vítimas por ano.
Procurada pela Tribuna do Paraná, a Urbanização de Curitiba (Urbs) disse que não irá comentar sobre o estudo feito pelo banco de fomento.
Quanto custariam os projetos analisados
Entre as opções de ampliação do transporte coletivo, o BNDES cita o VLT metropolitano, com possibilidade de ter 19,8 km e 96,78 mil embarques por dia útil. Segundo o documento, o investimento inicial, com infraestrutura e frota, chegaria a R$ 2,93 milhões.
No cenário analisado pelo BNDES, a implantação de um metrô Norte-Sul, com 20,4 km e aproximadamente 290,14 mil embarques, exigiria um investimento inicial estimado em R$ 16,88 milhões.
O estudo também aponta a possibilidade de criar quatro novas linhas de BRT e estender a Linha Verde, que liga os municípios de Colombo e Fazenda Rio Grande. Juntas, essas linhas atenderiam 238,13 mil embarques diariamente.
De acordo com o estudo do BNDES, seriam necessários R$ 919 milhões para cobrir 80% do capital total estimado para a implantação dos projetos. O banco de fomento ainda estimou que Curitiba gastou, em média, R$ 3,11 bilhões com transporte entre 2022 e 2025. Segundo o banco, o custo representa 30% do esforço fiscal ou menos da metade do que o município já gasta com o setor.
BNDES desenvolve projetos para diferentes regiões do Brasil
O levantamento envolve 21 das regiões metropolitanas mais populosas do país e foi elaborado entre 2024 e 2026. O estudo leva em consideração as próximas três décadas, com o objetivo de promover uma mobilidade urbana mais sustentável. Os indicadores trazem números para coordenar esforços entre a União, os Estados e cada município, considerando as melhores práticas e principais tendências, segundo o BNDES.
Ao todo, são 187 projetos de mobilidade urbana, que correspondem a 3 mil km de metrôs, BRTs, trens e VLTs. Cada empreendimento acompanha indicadores operacionais, envolvendo aspectos econômicos, financeiros e socioambientais.
Entre as métricas, o banco aponta que os projetos poderão evitar 27 mil vítimas de sinistros de trânsito e ainda evitar a emissão de 3 milhões de toneladas anuais de CO₂. Os empreendimentos ainda deverão reduzir em 11% o custo das viagens e em 16% o tempo médio de deslocamento da população.
