Saúde

Mais de 18 mil viagens por atendimento médico expõem desafio da saúde no Litoral do Paraná

projeto de novo hospital regional de matinhos
Novo hospital de R$ 67,7 milhões deve reduzir viagens de pacientes em Matinhos. Imagem: Danilo Salviato

Para quem mora em Matinhos, no Litoral do Paraná, buscar atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) muitas vezes significa sair da cidade. Somente em 2025, foi registrado um total de 18.508 viagens de pacientes para consultas, exames, sessões de hemodiálise, cirurgias e outros procedimentos em hospitais de referência, conforme dados da Secretaria de Saúde do município. Desse total, 992 viagens tiveram como destino a realização de cirurgias em outras cidades.

Os números mostram a dependência da população em relação à estrutura hospitalar de municípios como Paranaguá e Curitiba e ajudam a dimensionar o impacto esperado com a implantação do novo Hospital Regional Maria José Piana no litoral paranaense.

Com investimento de R$ 67,7 milhões do Governo do Estado, o hospital será construído no bairro Rio da Onça, em terreno cedido pelo município. O projeto prevê cerca de 7 mil metros quadrados de área construída, aproximadamente 90 leitos, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta, maternidade, centro cirúrgico, centro de diagnóstico por imagem, laboratório de análises clínicas e ambulatório de especialidades.

Novo hospital será construído no bairro Rio da Onça. Foto: Maria Carolina Crema

Segundo o prefeito de Matinhos, Eduardo Dalmora, neste mês, a prefeitura concluiu o licenciamento ambiental, finalizou a licitação e definiu a empresa responsável pela execução da obra. “Estamos aguardando a liberação do parecer do Ministério Público para dar a Ordem de Serviço e iniciar essa grande conquista para o Litoral”, afirma.

O prazo estimado para a execução da obra é de 30 meses, contados a partir da emissão da Ordem de Serviço. Anunciado em 2024, o projeto do Hospital Regional Maria José Piana entra na fase final que antecede o início dos trabalhos em campo.

Quando a saúde fica a quilômetros de casa

Vilsa Carla Marques, de 51 anos, conhece há anos a realidade de precisar sair da cidade para conseguir atendimento médico. Moradora de Matinhos desde os primeiros meses de vida, ela convive com dermatite atópica crônica e passou sete anos na fila do SUS até conseguir uma consulta com uma dermatologista. Após o atendimento, recebeu encaminhamento para um endocrinologista, mas voltou a enfrentar a mesma espera: há cerca de sete anos aguarda a consulta para investigar um nódulo na tireoide.

Ela conta que a longa espera por atendimento especializado, somada à incerteza sobre quando seria chamada, desencadeou crises de ansiedade e depressão. Enquanto o novo hospital não se torna realidade, as viagens para Curitiba continuam fazendo parte da rotina para dar continuidade ao tratamento.

A história de Vilsa representa a realidade de muitos moradores da região. Em 2025, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou 176 transferências de pacientes para hospitais de referência fora de Matinhos. No mesmo período, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) registrou 141.786 atendimentos. Apenas entre janeiro e abril deste ano, foram outros 56.774 atendimentos. Durante a temporada de verão, quando aumenta significativamente o movimento no Litoral, a unidade atendeu 23.906 veranistas.

O que muda com o novo hospital em Matinhos

Segundo a secretária municipal de Saúde, Eduarda Poletto, a nova unidade permitirá que diversos atendimentos hoje concentrados em Paranaguá e Curitiba passem a ser realizados em Matinhos.

Também estão previstas cirurgias eletivas em especialidades como cirurgia geral, ortopedia, ginecologia, urologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e cirurgia vascular. A expectativa é reduzir a necessidade de deslocamentos para atendimentos de média complexidade e ampliar o acesso da população aos serviços de saúde na própria região.

Procedimentos de alta complexidade — como neurocirurgias, cirurgias cardíacas, transplantes, radioterapia, hemodinâmica, tratamentos oncológicos e atendimento a grandes queimados — continuarão sendo encaminhados aos hospitais de referência, conforme a organização da rede estadual do SUS.

A saúde em números

  • Dados de 2025:
    • 18.508 viagens para consultas, exames, hemodiálise e cirurgias fora do município.
    • 992 cirurgias realizadas fora de Matinhos.
    • 176 transferências do Samu para hospitais de referência.
    • 141.786 atendimentos na UPA de Matinhos.
  • Dados de 2026 (janeiro a abril):
    • 56.774 atendimentos na UPA.
  • Temporada de verão:
    • 23.906 atendimentos a veranistas na UPA.
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