Os dois homens que aparecem arrastando um tubarão-mako no balneário Eliana, em Guaratuba, Litoral do Paraná, podem responder por crimes de pesca ilegal e de maus tratos, previstos, respectivamente, nos artigos 32 e 34 da Lei de Crimes Ambientais. O tubarão – da espécie que é considerada a mais rápida do mundo e que pode chegar a velocidade de 74 km/h – foi encontrado encalhado na areia, na manhã desta quarta-feira (19), e ainda estava vivo, com marcas de anzol. No vídeo, os homens puxam o animal pelo rabo, enquanto ele fica se debatendo na areia. Um inquérito para investigar o caso foi aberto pela delegada de plantão da Operação Verão Maior.

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Segundo a delegada Fernanda Lima Moretzsohn de Mello, da Operação Verão, a investigação do caso já está em andamento, para apurar a conduta de quem arrastou o tubarão, para mais longe da água. “Vamos verificar com os órgãos ambientais se o fato deles terem arrastado o tubarão pode ter sido a causa da morte. Um laudo deverá ser feito para confirmar isso”, disse Fernanda.

Ainda de acordo com a delegada, os homens podem responder por crimes ambientais. “Os maus tratos e a questão da pesca ilegal devem ser avaliados, pela presença de machucado no animal, que pode ter sido causado com o uso de anzol”, apontou. A polícia também informou que testemunhas estão sendo ouvidas e equipes já estão nas ruas para apurar os fatos.

Pelas redes sociais

O vídeo que mostra o tubarão-mako sendo arrastado na areia causou a revolta de muitos internautas. Entre os comentários estavam mensagens como: “Mataram ele. Em vez de colocarem ele na água, puxaram para a morte”; “Ele foi morto, pois pessoas podiam ter colocado ele na água, novamente, quando ele estava encalhado na areia. Ao invés disso, arrastaram pela calda para mais longe do mar e isso fez ele morrer” e “Triste o que fizeram com esse tubarão. Tinham que ser penalizadas as pessoas que aparecem com o tubarão, para não fazerem mais”.

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Quando pesquisadores do Centro de Estudos do Mar (CEM), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), chegaram ao local o animal já estava morto. Na manhã desta quarta, a coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC), Camila Domit, explicou que a espécie é migratória e, por isso, a importância de ser encaminhado para estudo no laboratório. “Eles trazem informações importantes sobre a situação do oceano, bem como o ambiente, doenças, compostos químicos, entre outros”, explicou a coordenadora.

O tubarão, de aproximadamente 2,2 metros, foi recolhido por pesquisadores e encaminhado ao Laboratório de Ecologia e Conservação do CEM. A orientação para quem encontrar um animal marinho em uma das praias do Litoral do Paraná é entrar em contato com Centro de Estudos do Mar (CEM), pelo telefone (41) 3511-2143.