A área do terreno invadido no bairro São Braz já foi dividida pelos ocupantes que, mesmo sabendo que o proprietário pediu a reintegração de posse, acreditam em uma resposta favorável a eles. Centenas de pessoas estão morando em barracos na área desde sábado (19). A invasão foi iniciada depois de um protesto pelo abandono do espaço, motivado pelo estupro de uma moradora do bairro no local.

O terreno, conhecido como “Terrão”, tem uma longa extensão, que vai do bairro ao Contorno Norte. A falta de limpeza e o mato alto, que viraram esconderijo dos criminosos, são reclamação antiga dos moradores.

Para instalarem as barracas, os novos ocupantes do local retiraram parte do mato. Segundo o relato de um deles, os lotes foram adquiridos por ordem de chegada.

Davi Ronaldo Machado, 49 anos, garantiu um dos lotes, onde pretende morar com a esposa os quatro filhos e dois netos. A família mora há 27 anos nos fundos do terreno da sogra dele, no São Braz. Ele disse estar em busca de condições melhores para a família. “Dá 5 m2 por 12 m2. É uma moradia, mas não cabe a quantidade de pessoas em que somos”, comentou.

O clima entre os ocupantes do terreno é de harmonia. Segundo Gerson Bueno, até churrasco já foi feito entre eles. “O pessoal se respeita. Aqui todo mundo precisa, né?”. Sobre o pedido de reintegração, ele garantiu: “acho que a maioria pensa igual e só sai mediante a polícia”.

Medo e receio

Entre os moradores do bairro, as opiniões sobre a ocupação do terreno estão divididas. Muitos estão tão amedrontados que, ao ver o carro da reportagem da Tribuna, desfizeram grupos de conversa e correram para as casas: “não quero me comprometer”, disse uma mulher, antes de fechar o portão.

Um aposentado, de 63 anos, que não quis ter o nome divulgado, disse que a invasão é negativa para o bairro. “O matagal ali era realmente complicado e precisava de limpeza. Mas a gente não sabe quem são essas pessoas, acho que vai piorar pra gente”. Ele comentou ainda que já soube de pessoas anunciando a venda de lotes na invasão.

Outra moradora que também não quis se identificar considera melhor a ocupação do que o abandono do terreno. “Todo mundo tinha medo de passar por ali”, afirmou.

Reintegração

Em nota, a empresa AZ, proprietária do terreno, informou que o pedido da reintegração de posse foi feito ao Judiciário no domingo (20).

Em relação à limpeza da área, os proprietários alegam que foram feitos dois serviços com essa finalidade nos últimos meses. Por causa das chuvas e do calor típicos do verão, conforme a nota, foi agendado um novo serviço, desta vez com máquinas agrícolas, para ampliar a duração do efeito do trabalho. No entanto, segundo a empresa, o serviço foi cancelado porque ao chegar ao terreno a equipe se deparou com a invasão.

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