Anunciada como a primeira secretária do governo de Sergio Moro (PL), Pricilla Maria Santana construiu a carreira no serviço público federal, com atuação nas áreas de política fiscal, regulação econômica e gestão financeira.
Natural de Brasília, ela assumiu, em janeiro de 2023, a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, durante o governo de Eduardo Leite (PSD). Foi a primeira mulher a ocupar o cargo na história do estado e também será a primeira a comandar a pasta no Paraná.
Pricilla tem formação multidisciplinar. É graduada em Ciências Econômicas e História pela Universidade de Brasília (UnB) e em Direito pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal.
Também possui mestrado em Direito Tributário pela Universidade Católica de Brasília e especialização em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
Experiência em gestão fiscal e corte de gastos
Antes de assumir a Fazenda gaúcha, durante o mandato de Paulo Guedes como Ministro da Economia (2019–2022), a economista passou oito anos na Secretaria do Tesouro Nacional, onde atuou como subsecretária de Relações Financeiras Intergovernamentais entre 2015 e 2022.
Na função, trabalhou na coordenação das relações financeiras entre a União, os estados e os municípios, com atividades ligadas à análise das contas públicas, à capacidade de pagamento dos governos e à negociação de dívidas.
Em junho de 2020, com a saída de Mansueto de Almeida do comando do Tesouro Nacional, Priscilla foi formalmente cotada pela equipe de Guedes para assumir a chefia máxima da Secretaria do Tesouro Nacional, cargo que acabou sendo ocupado na época por Bruno Funchal.
No entanto, a experiência no Tesouro Nacional também a aproximou das discussões sobre o equilíbrio fiscal dos estados. Durante a preparação do Rio Grande do Sul para aderir ao Regime de Recuperação Fiscal, Pricilla participou das tratativas relacionadas ao programa, voltado à reorganização das finanças estaduais. Na ocasião, defendeu o ingresso no regime como parte de um processo de recuperação das contas públicas.
A trajetória profissional inclui ainda passagens pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, onde ocupou cargos de coordenação e de secretária-adjunta entre 2000 e 2015.
Nesse período, participou de análises de fusões e aquisições de empresas, acompanhou mercados agrícolas e trabalhou em temas relacionados à regulação de setores de infraestrutura, como energia, petróleo, gás, mobilidade e saneamento.
Pricilla também atuou na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com atividades de acompanhamento de mercado e defesa da concorrência. Ao longo da carreira, acumulou experiência em conselhos de administração e fiscais de instituições públicas e empresas estatais, entre elas Eletrobras, Banco da Amazônia, Serpro, BR Distribuidora e Caixa Econômica Federal.
Desafios no Paraná
À frente da Fazenda paranaense, Pricilla será responsável pela condução das finanças estaduais, incluindo a arrecadação e o controle das despesas. Ao justificar a escolha, Sergio Moro destacou a experiência técnica da futura secretária e sua atuação diante dos desafios fiscais do Rio Grande do Sul.
Durante a campanha, o governador eleito defendeu a redução da máquina pública e a otimização da gestão, com a diminuição do número de secretarias. A experiência de Pricilla com o equilíbrio das contas estaduais deverá estar entre os pontos de atenção da nova gestão.
Outro desafio será conduzir a implementação da reforma tributária. Pricilla ocupa atualmente a segunda vice-presidência do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), órgão nacional criado para administrar o novo modelo tributário. A experiência na área deverá ser relevante para a adaptação do Paraná às mudanças no sistema de impostos.
