Foto: Chuniti Kawamura

Trabalho árduo: família faz todas as etapas da produção, desde a colheita (acima) até enrolar o fumo (abaixo).

O fumo de palha, típico do sertanejo, é tradição que se mantém graças a trabalhadores como a família Turra, da área rural de Prudentópolis, região central.

Pai, mãe e irmãos fabricam artesanalmente o fumo de corda, sem agrotóxicos, e garantem que a produção não chega para abastecer a demanda que produzem (entre mil e 1,5 mil quilos a cada lote) e que tudo é vendido na região.

O agricultor Luiz Carlos Turra, um dos filhos, conta que a família iniciou o ofício há 22 anos. ?Nesse meio tempo, só paramos por alguns anos, porque não dava conta do custo?, lembra. Os oito anos sem produção, porém, fazem parte de uma época que ficou para trás. ?Voltamos a produzir em 2006 e não conseguimos fazer nem a metade do que o pessoal quer. Se desse 5 mil quilos, venderia tudo?, garante.

Ele acredita que, após os anos de pausa, os Turra acabaram se tornando os únicos produtores em larga escala da região e, talvez, de todo o Estado. ?Na região, tinham mais uns oito produtores; agora somos só nós e, em todo o Paraná, não tenho conhecimento de outros produtores que fazem de quantidade?, diz.

A família, que vive na comunidade de São Pedro, a cerca de 4 quilômetros do Centro da cidade, tem no fumo de corda boa parte de seu sustento. ?Agora que melhorou a condição, dá para sobreviver bem sossegado do fumo?, garante Luiz. Cada quilo do produto, que é vendido para as casas agropecuárias da região, custa entre R$ 12 e R$ 20, dependendo da qualidade da folha usada.

O trabalho para fazer cada uma delas virar corda é árduo. Depois de plantada, a folha de fumo é adubada com o próprio mel de fumo com água que substitui agrotóxicos. ?A folha é colhida e colocada no estaleiro para secar. Daí é que são feitas as cordas de fumo, enrolando folha por folha?, explica o produtor. Entre 60 e 90 dias, está pronta para fumar, ?bem enxutinha?, conforme define Luiz.

A vantagem da produção familiar é que não usa veneno e, como a maior parte do processo é mão-de-obra mesmo, o custo baixo permite lucro de até 80%. Além de rentável, o trabalho também dá gosto ao produtor. ?É gratificante?, define Luiz Turra.