O baixo movimento é atribuído à
falta de segurança no local.

A Rua 24 Horas, no centro de Curitiba, está deixando de ser parada obrigatória para turistas e ponto de encontro de amigos e casais de namorados. Nos últimos tempos, a violência tem feito com que as pessoas se afastem de um dos pontos turísticos da capital. Os estabelecimentos comerciais estão ficando cada vez mais vazios e menos lucrativos.

Segundo a encarregada da loja Leve Curitiba, Leila Adriana da Luz, a situação está se tornando cada vez mais crítica. Devido à violência e à queda do movimento, há dois anos o estabelecimento deixou de abrir suas portas durante a noite. “Não vale mais a pena manter um funcionário trabalhando de madrugada. Pouquíssimas pessoas têm freqüentado a 24 Horas durante a noite”, afirma. “Nos últimos cinco anos, o movimento caiu em torno de 80%.”

Porém, não é apenas à noite que os problemas acontecem. Em plena luz do dia, meninos de rua incomodam os clientes, adolescentes se envolvem em brigas e prostitutas fazem ponto nas proximidades da rua. O coordenador da lanchonete Mister Sheik, Evandro Guerreiro, conta que os meninos chegam a roubar o lanche das pessoas que comem nas mesinhas das lanchonetes. “Ultimamente, tem acontecido de tudo e a toda hora”, diz. “Meu estabelecimento nunca foi roubado, mas já vi pessoas roubando bolsas e carteiras e crianças carentes tomando alimentos das mãos de clientes. Essas coisas estão prejudicando a imagem e a fama da rua. Os turistas estão deixando de nos visitar.”

A todo momento, um ou dois policiais militares ficam de plantão no local. Porém, parece que eles não estão conseguindo impor respeito. “Alguns policiais não fazem nada para nos ajudar”, diz a operadora de caixa Fernanda Castilho, também da Mister Sheik. “Esta semana, tive que tirar uma pessoa embriagada de uma das mesas do estabelecimento. Fui agredida verbalmente, mas a polícia não colaborou em nada.”

A funcionária do mini- mercado Luau, Simone da Silva Pereira, já teve problemas parecidos. Diversas vezes, ela flagrou pessoas roubando dentro da loja e teve que agir sozinha. “Os ladrões já me xingaram e até já quiseram me agredir fisicamente. Muitas vezes, os policiais ficam dentro da guarita e nem sabem o que está acontecendo. Eles não circulam pela rua”, explica.

Os comerciantes acreditam que a violência na 24 Horas está contribuindo não apenas para manchar a imagem da rua, mas de toda a cidade. Os turistas assaltados acabam levando péssimas impressões da capital paranaense.

Associação dos Lojistas

O presidente da Associação dos Lojistas da Rua 24 Horas, Roberto Amaral, discorda da opinião dos funcionários. Ele afirma que o fluxo de turistas tem sido normal e que nunca teve notícias de violência na rua. “O ambiente da 24 Horas é bastante tranqüilo. Nunca houve sequer um assalto na rua. Não entendo por que estão havendo reclamações.”

O comandante do 12.º Batalhão da Polícia Militar do Paraná, diz que vai colocar seus homens para conversar com funcionários e comerciantes e ver o que pode ser feito. “Diariamente, dois policiais trabalham no local. De duas a três vezes por semana, um pelotão da Rone faz batidas na região”, declara.