Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Dificuldade de arcar com mensalidades esvazia salas de aula.

Dar início a um curso superior em uma instituição de ensino particular e ter que interromper os estudos por motivos financeiros é frustrante. Porém, mais comum do que a grande maioria das pessoas imagina. Atualmente, a dificuldade de arcar com as mensalidades é uma das principais causas da evasão de alunos em universidades e faculdades privadas.

Para sobreviver em um mercado acirrado, não basta mais às instituições oferecer apenas qualidade de ensino aliada a uma boa estrutura física. É preciso também apresentar propostas atrativas de pagamento dos cursos, facilitando a vida dos estudantes e, muitas vezes, de seus familiares.

Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que atualmente possui cerca de 21 mil alunos em cursos de graduação, existe, desde 1992, um programa de crédito educativo, que atualmente beneficia aproximadamente seis mil universitários. ?Através do crédito, os estudantes pagam uma parte de seus cursos enquanto os realizam e outra depois que se formam. Anualmente, acontece uma atualização dos valores das mensalidades, mas não há juros. Com isso, atenuamos bastante o número de desistências por impossibilidade de pagamento?, revela o pró-reitor administrativo de Planejamento da instituição, Valdecir Cavalheiro.

Já na Fundação de Estudos Sociais do Paraná (Fesp), que oferece um total de sete cursos de graduação, os índices de inadimplência são considerados altos. No momento, um terço dos 1.850 alunos estão inadimplentes. Entretanto, a evasão é considerada baixa devido à possibilidade de negociação das dívidas. ?Quando os alunos não realizam rematrícula ou deixam de comparecer às aulas em função de questões financeiras, entramos em contato com eles e procuramos realizar uma conciliação de interesses, muitas vezes parcelando os valores devidos. Na grande maioria das vezes, os estudantes honram com seus compromissos?, comenta o presidente da instituição, Sérgio Manoel Masteck Ramos.

A negociação, segundo ele, beneficia tanto os alunos, que não precisam abrir mão de realizar o sonho de concluir um curso superior, quanto as instituições de ensino, que minimizam seus prejuízos. No último mês de junho, a Fesp colocou à disposição de seus alunos mais uma ferramenta que torna possível a conclusão dos cursos. É o Programa de Financiamento Estudantil, através do qual a instituição financia até 50% das mensalidades, por um prazo equivalente ao período restante para o término do curso, a juros zero. Inicialmente, o programa deve atender cem estudantes simultaneamente, sendo que o número de pessoas interessadas é grande.

Uma delas é a estudante de Comércio Exterior, Marcela da Silva Santos, que cursa o segundo período do primeiro ano. Para ela, o financiamento representa a oportunidade de poder realizar cursos complementares, como de línguas, e de dar um alívio ao bolso dos pais. ?Investir em estudo vale a pena. Porém, não é fácil, principalmente para pessoas como eu, que para estudar precisam se deslocar de suas cidades de origem e arcar com despesas de aluguel?, diz.